Escrito em por
Artigos, Artigos sobre Direitos Animais.

Matar pode ser legal, mas não há argumento ético que possa sustentar e legitimar tal ato, a não ser quando quem morre por suas mãos estava a ameaçar sua vida.

cecil-etica-animal-filosofia-direitos-animais-especismo-veganismo-dentista-caçador

Isso vale para Cecil, do mesmo modo que vale para todos os seis bilhões de animais que matamos aqui em nosso país, dentro da lei, para consumo humano, e para os 70 bilhões de animais indefesos mortos ao redor do mundo para satisfazer apetites humanos, animais absolutamente inocentes, que não estão ameaçando a vida de ninguém.

Quando o Estado define uma área onde matar um animal é “permitido” (legal), esse mesmo Estado não tem como controlar a pisada na linha divisória, nem impedir que os “caçadores” violem a marca e matem o animal, digamos, cinco centímetros além da linha divisória.

Se Cecil não fosse um animal famoso, poucas pessoas estariam sentindo compaixão por sua vida abatida. E a maioria das pessoas, de fato, não tem compaixão alguma por todos os animais que fatia e engole todos os dias.

Especismo eletivo não pode sustentar uma moralidade que queira ser ética. Só a compaixão abolicionista pode defender a vida de todos os animais, dos que são comidos e dos que são usados para qualquer outro propósito.

Sônia T. Felipe, doutora em Teoria Política e Filosofia Moral pela Universidade de Konstanz, Alemanha (1991), fundadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Violência (UFSC, 1993); voluntária do Centro de Direitos Humanos da Grande Florianópolis (1998-2001); pós-doutorado em Bioética – Ética Animal – Univ. de Lisboa (2001-2002).

Autora dos livros, Por uma questão de princípios: alcance e limites da ética de Peter Singer em defesa dos animais (Boiteux, 2003); Ética e experimentação animal: fundamentos abolicionistas (Edufsc, 2006); Galactolatria: mau deleite (Ecoânima, 2012); Passaporte para o Mundo dos Leites Veganos (Ecoânima, 2012); Colaboradora nas coletâneas, Direito à reprodução e à sexualidade: uma questão de ética e justiça (Lumen & Juris, 2010); Visão abolicionista: Ética e Direitos Animais (ANDA, 2010); A dignidade da vida e os direitos fundamentais para além dos humanos (Fórum, 2008); Instrumento animal (Canal 6, 2008); O utilitarismo em foco (Edufsc, 2008); Éticas e políticas ambientais (Lisboa, 2004); Tendências da ética contemporânea (Vozes, 2000).

Cofundadora da Sociedade Vegana (no Brasil); colunista da ANDA (Questão de Ética) www.anda.jor.br. Coordena o projeto: Ecoanimalismo feminista, contribuições para a superação da discriminação e violência (UFSC, 2008-2014).

Foi professora, pesquisadora e orientadora do Programa Interdisciplinar de Doutorado em Ciências Humanas e do Curso de Pós-graduação em Filosofia (UFSC, 1979-2008). É terapeuta Ayurvédica, direcionando seus estudos para a dieta vegana.

Facebook 

Deixe uma resposta