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Artigos, Artigos sobre Direitos Humanos.

Sobre os bons modos na relação entre os movimentos sociais

Vejo ganhar corpo uma espécie de política “abracemos o opressor”, que prega regras de boa convivência; unir forças em prol da causa; instaurar um consenso. Aceitar a misantropia nos movimentos animalistas, aceitar o machismo nos espaços de esquerda, aceitar o bem-estarismo em espaços abolicionistas, aceitar, enfim, o relativismo moral em ambientes libertários – Isso é positivo PARA QUEM?

“nem todo mundo é anarquista ou feminista. Devemos filtrar o que cobramos dessas pessoas, para divulgarmos o veganismo”

Certamente não o é para as minorias reafirmadas como oprimidas em cada situação. Devemos ser radicais – que quer dizer ir à raiz do problema – afinal, qual a logica de seguir com políticas tapa buraco e conivência com os desvios dos outros, atitudes essas que  tanto reclamamos quando assumidas pelos nossos representantes no congresso? A real união dos movimentos deveria se dar por meio da soma de lutas, e não da concessão.

O machismo nas propagandas da PeTA, por exemplo, devia ser inaceitável. Se mostra urgente que paremos de evitar fazer criticas à uma organização porque ela “tem méritos” dentro do movimento. Não devemos relativizar e corroborar políticas que funcionam promovendo manutenção do status quo. Campanhas são campanhas. “são feitas por pessoas que podem errar”, ok. E não é por isso que vamos deixar de criticar e desencorajar; não são criticas pessoais, então não importa quem fez ou esta fazendo; o que importa são as mensagens passadas e políticas assumidas por cada um, e devíamos todos estar abertos a discutir o que é melhor para os animais ao invés de defendermos as supostas conquistas de campanhas ultrapassadas, egocentricamente e/ou por conforto.

Vaquinha, vou pedir sutilmente para as pessoas largarem seus vícios uma vez por semana, logo elas abrirão os olhos para os novos sabores e pensarão em você. Aguenta aí.

O buraco é mais embaixo, todo mundo sabe, ninguém quer ver; se você realmente quer a mudança ideal, porque se recusar a refletir sobre os meios para alcançá-la? vandalismo é ‘desnecessário’, ALF é ‘desnecessária’, provocação ao pudor sexual e de gênero é ‘desnecessário’, briga dentro do movimento é ‘desnecessário’. Desnecessário para quem? Perguntemos ao oprimido se a radicalidade é desnecessária.

“A pessoa que promove o capitalismo vegano faz isso de bom coração, não é que ela concorde com o sistema exploratório, ela é uma pessoa ótima e só quer a libertação animal”

Amplia-se a aceitação do subversivo apenas até certos pontos, negando uma maior a abrangência, de forma reacionária. Reaças de esquerda – Pode? Não é a toa que esses termos são antiéticos. Essa categorização do que merece ou não merece consideração, se mantém na lógica de interferência de um na liberdade do outro, contra a qual estamos lutando.

Fica uma reflexão sobre a paz:

Paula é professora, estudante, vegana, anarquista, feminista, ativista pelos direitos animais.

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