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Artigos, Artigos sobre Direitos Animais.

Ética, couro, peles e direitos animais

Na correria do dia a dia, muitas pessoas não param para refletir sobre o impacto direto daquilo que consomem e o que estão financiando através de atitudes aparentemente banais como comprar um casaco, uma bota ou um tênis. Alguns desses produtos são produzidos com materiais oriundos de pedaços dos corpos de animais como couro (camurça, nobuck), peles (pêlo), lã, penas e seda.

Raposas, coelhos, chinchilas, cabras, cachorros, jacarés, ovelhas, porcos, bois e vacas são alguns dos animais utilizados por essa indústria bilionária que cria e mata milhares de animais todo ano.

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Nos últimos anos, em virtude de exigências modernas da moda, do alto custo econômico, ético e socioambiental do couro, multiplicou-se consideravelmente opções de produtos feitos de materiais sintéticos e naturais, em substituição ao couro e outras peles de animais.

O aparecimento de empresas veganas de calçados, acessórios ou moda como Stevlana, Ahimsa, Vegano Shoes, Nicole Bustamante, Insecta Shoes ou de grandes empresas que fornecem opções sem insumo de animais como a Melissa, a PiccadillyIpanema, tem contribuído para o crescimento do boicote aos produtos feitos com pele de animais.

Grandes marcas internacionais também estão demonstrando que é possível aliar qualidade, conforto e durabilidade com materiais alternativos como a grife Stella McCartney que vive lançando novos produtos e inovando no mundo da moda.

Ainda assim é preciso tomar cuidado, muitas vezes, até os produtos descritos como sintéticos podem ser provenientes de animais. Produtos fabricados em certos países da Ásia, como a China, Coréia e região podem ser feitos de pele de cachorro, gato ou outros animais e vendidos para cá como material sintético, uma vez que, esses animais são consumidos por lá e os comerciantes dão um jeitinho para lucrar o máximo possível. Em 2011, por exemplo, a empresa Marisa foi flagrada comercializando pele de coelho como se fosse material 100% poliéster.

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Fotos utilizadas na análise microscópica comparativa.

 

Direitos Animais
Já parou para pensar o quanto é estranho utilizar pedaços de animais mortos enrolados no pescoço como peles de lobos, coelhos e raposas?
Não muito diferente disso é igualmente estranho utilizar pedaços de outros animais mortos como acessórios ou sapatos como couros de carneiros, bovinos, jacarés e outras espécies.

No entanto, isso tudo é culturalmente aceito e, em alguns casos, considerado até mesmo sinal de luxo, riqueza e status, mas de onde vem isso? De onde vem essa discrepância de interpretação dos fatos?

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Em grande parte vem do forte Lobby da “indústria do couro, lã e outras peles” que com muito esforço publicitário cria uma imagem de que esses produtos são naturais, necessários e luxuosos.

No Brasil, essa mesma indústria maléfica aprovou uma Lei Federal, travestida de apoio ao consumidor, que proíbe a utilização de nomenclaturas como “couro” junto da palavra “sintético” ou da palavra “vegetal” dificultando a venda desses produtos e implicando em multas de alguns mil reais.

A grande mídia nomeou ações em prol dessa lei como “blitz do couro”. Dependendo do caso pode ocorrer prisão de 3 meses, a um ano, afirma em seu site a CICB (Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil).

Há ainda uma força muito mais poderosa e antiga que influencia na decisão dos consumidores que é a ideia de que “os animais existem para usufruto da humanidade e que não possuem direitos básicos fundamentais por não serem membros da espécie humana”, essa forma preconceituosa de pensar é chamada de “Especismo” e é uma discriminação arcaica que tem atravessado os séculos.

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Os dois fatores mencionados acima, contribuem gigantescamente para alienação da população sobre a realidade de milhares de animais explorados e mortos para vestuário, animais que são seres sencientes, ou seja, que sentem conscientemente, conforme afirma em artigo o Biólogo Sérgio Greif.

Além disso, existem falsas ideias no senso coletivo das pessoas sobre o couro e outras peles como a visão de que produtos de peles são arrancadas desses animais apenas depois de mortos (ou completamente inconscientes) e também a visão de que as peles de couro são “apenas sobras” reaproveitadas de suas carcaças. A realidade é um pouco diferente.

Alguns animais como focas, ursos e lontras são caçados na natureza, ficam presos em armadilhas por semanas, vulneráveis ao ataque de outros animais até a chegada dos caçadores, desesperados chegam até mesmo a fazer automutilação da região afetada na tentativa de escaparem.

Outros animais, geralmente, no modelo de criação e confinamento, passam a vida toda engaiolados para depois serem eletrocutados. Há também animais que são asfixiados, afogados ou mortos com pauladas. Independente do método, a pele é retirada com toda força, como se fosse arrancada ao avesso, muitos são esfolados quando ainda estão vivos e plenamente conscientes.

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A situação dos bovinos e outros animais escravizados na produção de pele de couro também não é nada agradável, a maioria são explorados ao longo da vida para produção de leite, carne ou outras atividades econômicas, sendo o couro mais um subproduto que contribui para a rentabilidade de uma fazenda e para um aumento significativo da exploração animal.

Ser um subproduto não o torna um consumo neutro e aceitável eticamente, pelo contrário, pecuaristas que trabalham com foco na produção de couro combinada ou não com produção de carne ou leite costumam adotar com mais alarde certas práticas como “mochação”, “descorna” e “marcação de ferro em brasa no rosto do animal”. A retirada do chifre é feita para que ele não arranhe ou machuque a pele de outro animal ao brincarem ou brigarem no pasto.

A marca de fogo é feita com ferrete para identificação do animal como escravo (propriedade de determinada empresa), no caso, de animais que serão explorados também para o couro, o ferro em brasas é aplicado ao rosto para danificar uma região não utilizada como couro.

A terceira imagem afirmando que “o modo correto é marcação no rosto do animal” foi retirada da Revista do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB).

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Além desses casos, há empreendimentos onde os animais são criados exclusivamente para produção de couro, pois os animais criados para diversas finalidades, acabam tendo mais danificações na pele por causa de cortes de esfola, carência de nutrientes, riscos por chicote, berne, carrapatos, miíases, transporte em veículos com ferros ou madeiras soltas, etc.

No estado do Mato Grosso do Sul, que é conhecido por ter a maior concentração de bovinos do Brasil, um estudo da Sociedade Brasileira de Economia e Administração Rural afirma que cerca de 60% dos defeitos no couro de bovinos são correspondentes ao que acontece nas fazendas, através de fatores como baixa saúde dos animais por ectoparasitas (carrapatos, berne, mosca-do-chifre, etc), ferrões pontiagudos ou cães usados no manejo, arames farpados e as marcas de fogo.

Importante ressaltar que para os Direitos Animais, ou seja, para a noção de respeito e justiça, com base científica na senciência, a crueldade com os animais é um agravante e o problema central está na utilização por si só desses animais, pois eles são indivíduos e não produtos.

A crueldade ocorrida contra eles é um fator inerente a condição imposta de escravidão na qual se encontram por estarem à merce dos interesses de certos humanos (produtores e consumidores).

Os animais são pessoas também, são seres sencientes, que possuem interesses próprios na vida que não são de corresponder as expectativas humanas sobre eles, portanto, merecem consideração e direitos básicos fundamentais como direito a vida, a liberdade e integridade física e psicológica preservada.

A Senciência combina os termos “sensibilidade” e “consciência” e é um conceito chave para entender o campo ético científico que fundamenta a noção dos Direitos Animais.

 

Questões Socioambientais
O fator ético de levar em consideração os animais explorados na produção de peles de couro e peles de todos os tipos é de longe suficiente para abolição desses produtos da nossa vida, mas há também danos sociais e ambientais graves nessa indústria.

Os químicos poluentes utilizados no curtume como o cromo e todo o sangue derramado contaminam diretamente solo, água e os lençóis freáticos, poluindo nossos rios, destruindo a biodiversidade marinha, além de causar prejuízo a saúde das pessoas que trabalham nesse setor ou que moram próximas a esses locais. O filme “Especismo” (2013) trata sobre essa temática.

Existe o fato também de que a Pecuária é uma das atividades brasileiras que mais abriga trabalho escravo e trabalho escravo infantilA organização de Direitos Humanos Repórter Brasil produziu uma reportagem multimídia intitulada “Moendo Gente” sobre a exploração humana nos principais frigoríficos brasileiros que exemplifica em detalhes como essa engrenagem funciona.

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A segunda foto foi tirada de um Matadouro no Texas via “Google Earth”.

 

A sua responsabilidade nisso tudo!
Grandes marcas sofreram pressão para que abolissem tais práticas como a Arezzo que, em meados de abril de 2011, retirou peles exóticas de sua nova coleção após uma chuva de críticas na rede social. Outras empresas foram inteligentes e aboliram itens de peles por conta própria, principalmente, após o desastre com a Arezzo que tornou-se muito mal vista pela opinião pública.

Boicotar o consumo desses produtos e pressionar empresas para abolir o uso de animais é extremamente importante e uma tática que funciona!

Nós saímos do tempo das cavernas, não precisamos utilizar animais para nos vestir, não precisamos usar animais para sobreviver e hoje já conseguimos, inclusive, compreender que não devemos escravizar animais.

Há uma infinidade de substitutos e alternativas para abolição de produtos com peles de animais, para abolição de produtos testados em animais e de produtos de origem animal.

Um modo de vida ético, pautado no respeito aos direitos animais, é possível! E o Veganismo tem ganhado cada vez mais força!

 

Se ainda não está convencido da importância de parar de consumir couro e outras peles de animais, e de adotar o modo de vida vegano, reservamos algumas fotos sobre a realidade da Escravidão Animal para que você possa refletir:
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• Para saber mais sobre Direitos Animais e Veganismo, acesse: #SejaVegan!

Fundador do Portal Veganismo e do Grupo CAMALEÃO.
Comunicólogo, autodidata em História, Filosofia e conhecimentos gerais. Ativista abolicionista pelos Direitos Animais, membro da Sociedade Vegana.

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