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Cavalos não são veículos, Cavalos são indivíduos!

No dia 1 de setembro, aconteceu na Câmara Municipal de Taubaté, a audiência pública que discutiu a possível proibição de carroças no perímetro urbano da cidade.

A audiência foi convocada pelo vereador Jeferson Campos (PV) e teve como objetivo, entre outros, avaliar o impacto da proibição na vida dos carroceiros e debater sobre as condições dos cavalos.

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O projeto de lei em pauta (PLC 28/2014), de autoria do vereador Douglas Carbonne (PCdoB), propõe a proibição das carroças na cidade, mediante a inclusão social dos carroceiros, proporcionando a eles cursos profissionalizantes e criando diversas ferramentas para serem melhor inseridos no mercado de trabalho, além da possibilidade de adequá-los no mesmo ramo com o projeto Cavalo de Lata que substitui o cavalo por um veículo, apresentado pela ONG CAMALEÃO em 2013.

Segue o texto-manifesto de um ativista da ONG CAMALEÃO feito para essa Audiência Pública:
É crucial tocar em alguns pontos desse debate principalmente em relação a possível confusão do que exigimos hoje dos vereadores, do que nós realmente queremos para os animais, do que significa maus-tratos e sobre a nossa responsabilidade sobre tudo isso.

DIREITOS ANIMAIS
Primeiramente é importante dizer que DIREITOS animais NÃO é a mesma coisa que lutar contra maus-tratos aos animais.
Exigir direitos animais, é exigir a derrubada da ideia de que os animais são propriedade do ser humano, é exigir que eles não sejam vistos e tratados como recursos, objetos, cobaias, veículos ou alimento.
Direitos Animais é a noção de que todas as espécies possuem Naturalmente o direito à vida, à liberdade, a integridade física e psicológica preservada.

Quando falamos de “tratar bem os animais” ou que “somos contra a crueldade” estamos tocando apenas de forma Superficial na questão, apenas tocando no aspecto da não-violação física BRUTAL contra os animais, é claro que, a maioria das pessoas não quer crueldade para os animais, PORÉM, a não-violação psicológica, a não-violação da liberdade e o respeito a individualidade deles é tão importante quanto!

OU SEJA… o movimento animalista, o movimento de Direitos Animais, N-Ã-O quer a regulamentação das carroças, não quer a suavização da exploração dos cavalos, queremos a proibição dessa prática!
• Os cavalos não são veículos, eles são indivíduos!

MAUS-TRATOS
No que tange ao famoso “maus-tratos” podemos dividi-lo em visível e invisível.
Visível é aquele maus-tratos bruto, direto, violento e perceptível aos olhos, que pode levar a debilitação parcial ou total do animal agredido.

Quero me focar agora no invisível, que é tão ou mais cruel que a agressão bruta, pois esse é geralmente contínuo e aceito pela sociedade, é aquele maus-tratos ‘suavizado’, não identificado muitas vezes apenas no olhar e que demanda um certo grau de sensibilidade apurada ou um estudo técnico para ser enxergado.

E para isso eu gostaria de dizer que os maus-tratos aos cavalos vão muito além do peso das cargas que carregam e passam, principalmente, pela própria condução do corpo do animal através do domínio de sua boca/mandíbula, do domínio da sua cabeça.

No texto “Freio na boca do cavalo serve para quê?”, da Doutora em Filosofia e Ética Animal, Sônia Felipe, ela, através do trabalho do equinologo Alexander Nevzorov esclarece fisiologicamente o que acontece com a boca desses animais:
“Primeiramente, há o ressecamento da garganta pela impossibilidade de engolir a saliva”. A baba que sai da boca do animal indica que as glândulas parótidas estão lesadas. A saliva espumando a sair pela boca, em qualquer animal, indica algo fora do normal, é um sinal de desconforto, dor, tensão, dor aguda, ou de algo muito errado.

Segundo o autor, “basta abrir qualquer manual de odontologia equina para que os olhos caiam imediatamente em algum artigo sobre as lesões dos lábios, gengivas, dentes, palato e partes sensíveis similares da boca, causadas pelos freios”.

O ferro [freio] foi, é e será um fator fundamental e determinante nessa estranha e dramática relação entre o cavalo e o homem.
Portanto, é uma grande ilusão pensarmos que é o homem quem controla o cavalo sobre cujo lombo está montado, atrás do qual comanda a charrete, ou sobre o qual carrega os armamentos da artilharia. Isso não é verdade.
A dor é quem controla o cavalo.

Eles param o cavalo com dor, eles o dirigem pela dor e o fazem virar com a dor.
A cervical e o sistema muscular do cavalo são lesados pelo puxão das rédeas.

Assista ao vídeo da fala feita por voluntário da ONG CAMALEÃO:

Veja o vídeo completo da Audiência:

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