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Crueldade e Rodeios: novo registro e mais provas de abuso contra os animais

Em setembro, o CAMALEÃO, com apoio jurídico da AMAIS, realizou uma ação do registro de uso e abuso dos animais em um rodeio oficial (legalizado) da região do Vale do Paraíba (Interior de São Paulo).

Em meio à ofensas e desprezo dos peões (como era de se esperar) realizamos nosso trabalho fotografando e filmando todo a prática visível do rodeio, do brete a arena das montarias, para coletar o máximo possível de provas de stress, incômodo, machucados e expressões de dor dos animais usados nos rodeios.

rodeio-maus-tratos-animais-bem-estar-selo-rodeio-legal-crueldade-montaria-peão-vale-do-paraíba-camaleãoÉ sabido que não existe rodeio sem maus-tratos aos animais, uma vez que esses animais estão em ambientes noturnos, expostos a todo tipo de iluminação e barulho intensos, agitação dos peões e da plateia, sem contar o uso das ferramentas no corpo do animal para que ele se irrite e salte para expelir o incômodo (peão e seus apetrechos).

Além disso, é claro, os animais não existem para satisfazer os desejos humanos (econômicos, aventura, lazer, satisfação de fama de macho, fama de herói, etc). Os animais tem seus fins em si mesmos, eles não existem para satisfazer os objetivos humanos, independente, se a prática do rodeio pode ter maus-tratos físico brutal direto ou se o mínimo de cuidado foi tomado. Não importa. O que se busca não é a regulamentação do rodeio com base em falácias e marketing “de animais bem-tratados” como prega os peões e sim a coleta de provas para aplicação de multas (como realizado no passado) e posterior extinção das provas com animais (proibição definitiva do rodeio).

Flagramos algumas práticas não permitidas pela legislação e focamos também na produção de um conteúdo que evidenciasse os maus-tratos até mesmo naquilo que é considerado correto pela lei, mas que ainda assim é passível de crítica pelo uso e abuso cometido contra a integridade física e psicológica dos animais, como o uso de espora na costela e proximidades do animal, uso de peiteira, sedém, a exposição forte da luz e do som alto e a insatisfação dos animais pode ser comprovada com o próprio comportamento apresentado diante de toda situação, ora de braveza e irritação, ora de medo e passividade.

 

VÍDEO PRINCIPAL COM CENAS DO RODEIO:

 

AS FERRAMENTAS USADAS NOS RODEIOS:
Sedém: Espécie de cinta, de crina e pêlo, que se amarra na região do vazio do animal e que faz com que ele pule. Momentos antes de o brete ser aberto para que o animal entre na arena, o sedém é puxado com força, comprimindo ainda mais a região dos vazios dos animais, provocando muita dor, já que nessa região existem órgãos, como parte dos intestinos, bem como a região do prepúcio, onde se aloja o pênis.

Esporas: As esporas são objetos pontiagudos ou não, acoplados às botas dos peões, servindo para golpear o animal (na cabeça,pescoço e baixo-ventre), fazendo, em conjunto com o sedém e outros instrumentos, com que o animal corcoveie de forma intensa. É sem fundamento o argumento de que as esporas rombas (não pontiagudas) não causam danos físicos nos animais, pois ocorre a má utilização destes instrumentos, e como dissemos anteriormente, visa-se golpear o animal e, portanto, com ou sem pontas, as esporas machucam o animal, normalmente provocando cortes na região cutânea e perfuração globo ocular.

– Peiteira: Consiste em outra corda ou faixa de couro amarrada e retesada ao redor do corpo do animal, logo atrás da axila. A forte pressão que este instrumento exerce no animal acaba causando-lhe incômodo, irritação e ferimentos.

– Polaco (sinos): Na peiteira são colocados sinos, os quais produzem um barulho altamente irritante ao animal, o qual fica ainda mais intenso a cada pulo seu.

Aliás, ressaltemos que a irritação que o polaco causa aos touros é inclusive reconhecida pelos próprios apreciadores e praticantes de rodeios, já que o polaco é definido em sites do gênero como: “sinos de metal colocados no touro para irritá-lo” (sic).

 

Síndrome de Emergência de Cânon (Midríase):
Além dos grandes danos físicos causados aos animais nos rodeios, como já expusemos fartamente, devemos ressaltar também o sofrimento a que os animais são submetidos, e para tanto suscitamos o trabalho da Dr. Irvênia Prada, Professora Titular da Faculdade de Medicina da USP, que diz:

“Outro aspecto que nos chama atenção é o que se observa nas fotos dos animais, em plena atividade, nesses eventos. Nessas fotos, os olhos dos animais mostram uma grande área arredondada, luminosa, conseqüente à dilatação de sua pupila. Na presença de luz, a pupila tende a diminuir de diâmetro (miose).

Ao contrário, a dilatação da pupila (midríase) acontece na diminuição ou ausência de luz, na vigência de processo doloroso intenso e na vivência de fortes emoções (medo, pânico etc.) e que acompanham situações de perigo iminente, caracterizando o chamado “Síndrome de Emergência de Cânon” (to fight or to flight – lutar ou fugir).

Quando o ser humano ou o animal se sente ameaçado, agredido, assustado, automaticamente seu organismo é preparado para essa situação. Acontece então taquicardia (aumento da freqüência cardíaca), aumento da pressão arterial, dilatação dos brônquios, aumento de aporte sangüíneo para os músculos, diminuição de sangue no território cutâneo, transformação rápida de glicogênio em glicose e dilatação das pupilas (midríase).

No ambiente da arena de rodeio, o esperado seria que os animais estivessem em miose, pela presença de luz. Assim, a midríase que exibem é altamente indicativa de que estejam na vigência do citado Síndrome de Emergência, o que caracteriza sofrimento mental.”

 

 

O QUE FOI VISTO:
– Todos animais com pupilas dilatadas (midríase)
– Animais estressados
– Um dos primeiros bois estava com o olho extremamente vermelho o que pode indicar o uso de pimenta, terebintina e outra substância abrasiva usada para irritar os animais ou até mesmo alguma infecção no olho do animal
– Sedém sempre muito bem apertado na parte traseira (apenas um era de algodão)
– A dor ocasionada pelo sedém vem da força aplicada na corda, na pressão exercida e não necessariamente no material utilizado
– Corda traçada no pescoço do animal para provocar irritação
– Alguns animais estavam com olho lacrimejando
– Todos os animais que foram usados na montaria estavam sempre incomodados com a iluminação, som alto e o uso das ferramentas (polaco, sedém, etc) e todos estavam constantemente cercados por cinco, seis homens que auxiliavam o peão principal para a montaria, esse cerco em volta do animal com certeza o deixava em estado de alerta e incomodado
– Três animais mugiram em certos momentos anterior a “soltura” na arena do rodeio
– Alguns animais babavam possivelmente de nervoso, lesão na mucosa oral ou machucado interno na boca
– Outros foram identificados muito trêmulos (demonstração de insegurança, de receio, acanhamento)
– Animais estavam marcados com ferro na região traseira
– Peões balançavam o brete final onde o animal ia para arena

 

O QUE FOI REGISTRADO:
– Música alta
– Forte iluminação
– Barulho dos participantes
– Animais com pupilas dilatadas (midríase)
– Animais estressados com a situação e alguns acuados de medo
– Animais com marcas de corte pela espora ou sedém
– Uso de polaco (sino)
– As esporas registradas não eram afiadas, o que não significa que não ocasionavam dor nos animais ao ser pressionada na costela e proximidades
– Animais com olhos vermelhos (possivelmente uso de terebintina, pimenta ou outras substâncias abrasivas)
– Animal com chifre cortado (descorna)
– Corda traçada no pescoço do animal para provocar irritação
– Palhaço dando tapas, socos e chute no rosto do touro para proteger o peão
– Animais extremamente agitados e estressados

 

O QUE OS PEÕES ALEGAM:
“Nossos animais são bem-tratados”: Nenhum animal usado em rodeio é bem tratado, no máximo ele pode ter uma boa alimentação (essencial para ele se tornar forte e aguentar o peso do peão e as provas do rodeio), mas no treino e na arena o animal é usado, humilhado, provocado e ferido. A alimentação e o cuidado veterinário não são pelo bem do animal e sim pelo bem da continuidade do uso do animal nas provas de rodeio que se seguem e pela luta de sobrevivência dos rodeios.

“São apenas oito segundos”: Essa afirmação mostra que o peão tem consciência de que o animal é explorado o tempo em que fica na arena, porém, ela carrega uma mentira, pois o peão usa os animais em outras situações para treinar para as competições municipais, estaduais, nacionais.

“Estamos dentro da lei”: Nem sempre os rodeios estão totalmente legalizados, muito de ilegal ainda acontece na maioria dos rodeios. Porém, é importante dizer que Lei não é sinonimo de Ética. Muitas coisas na sociedade ainda são legalizadas, porém, são antiéticas e completamente erradas, como os rodeios.

 

* Palhaços agressores:

 

* Palhaço chuta cara do boi:

 

* Registro de Rodeio: “Touro irritado com perna presa”:

 

* Touro Vai Duê (Midríase):

 

* Animal irritado com corda no pescoço:

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ASSINE NOSSAS PETIÇÕES CONTRA O RODEIO:
Pelo fim dos rodeios e congêneres em Caçapava
Pelo fim dos rodeios e congêneres em Jambeiro
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VEJA ALGUMAS FOTOS DO RODEIO (clique para ver mais):

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Marcas-de-Espora-animal-pupila-dilatada-assustado-rodeio-são-paulo-camaleão-maus-tratos

(( cortes na pele do animal provavelmente ocasionados pelo contato com a espora do peão ))

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descorna-rodeios-chifre-cortado-são-paulo-maus-tratos-animais-CAMALEÃO

(( Animal com chifre cortado (descorna), muitas vezes, o chifre dos bovídeos, para a realização de determinadas provas, é “aparado” com a utilização de um serrote,sem anestésico, e causando sangramentos e dor aos animais ))

peão-enforcando-animal-corda-pescoço-rodeio-são-paulo-CAMALEÃO-especismo

(( Peão estava puxando corda em torno do pescoço do animal (que já estava amarrado pelo sedém e peiteira) – ao flagrarmos e registrarmos o ocorrido, outros peões alertaram desesperadamente para que o peão soltasse a corda ))

 

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