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Guy Fawkes, uma das figuras mais extraordinárias da história da Inglaterra. Mas Guy Fawkes – fala-se Gui porque Guy vem de Guido — acabou se tornando o símbolo máximo da conspiração, mesmo não sendo o líder.

O que os conspiradores queriam não era pouca coisa: simplesmente explodir o novo Parlamento britânico no momento em que o Rei Jaime I abriria, formalmente, os trabalhos, em 5 de novembro de 1605.

Na essência do complô, estava a raiva e a frustração que Jaime despertara entre os católicos ingleses. Ele sucedera Elizabete, filha de Henrique 8. Elizabete, feia e indesejada, morreu virgem e sem sucessores, e com ela chegou ao fim a dinastia Tudor.

Ela perseguira cruelmente os católicos, como seu pai. Imaginava-se que Jaime, escocês da família Stuart que ascendera por conta de laços familiares com um ramo dos Tudor, facilitaria a vida dos católicos.

Não facilitou.

Os católicos logo o detestaram – não só por manter a perseguição como porque ele era escocês. Logo começou uma trama para matá-lo – e a todos os parlamentares.

Os opositores compraram uma casa ao lado do Parlamento, em Westminster, e foram, aos poucos, enchendo de pólvora. Fawkes, alto, forte, bonito, um guerreiro provado em várias guerras nas quais atuou como mercenário, tomava conta da casa, e estava preparado para explodir a si próprio, com a casa, caso fosse descoberto.

Não conseguiu.

Um dos integrantes do grupo, na tentativa de salvar um amigo, mandou a ele um recado cifrado e anônimo. Disse a ele que não fosse à abertura do Parlamento, no dia 5 de novembro.

O destinatário estranhou. A carta chegou a Jaime, e o plano foi descoberto. Fawkes foi impedido, na ação de surpresa da polícia, de explodir a casa para evitar que os conspiradores fossem descobertos, presos e punidos.

Ele foi levado à presença de Jaime, e nasceram aí frases memoráveis. O rei perguntou por que o objetivo era matar tanta gente – a família real, todos os parlamentares etc? “Tempos desesperadores exigem medidas desesperadas”, respondeu Fawkes. O rei insistiu na pergunta. Para que tanta pólvora? “Era a maneira mais rápida de mandar todos os escoceses de volta à Escócia”, disse Fawkes.

A coragem de Fawkes assombrou. Foi condenado à morte por enforcamento e esquartejamento. Submetido a uma sessão infernal de torturas, não revelou nada que já não fosse conhecido. Em sua História da Inglaterra para Crianças, Dickens o define, admirado, como um “homem de ferro”. (De Jaime, diz que era o mais feio, o mais ridículo e o mais inepto dos mortais).

O dia 5 de novembro passou a ser comemorado na Inglaterra com uma queima de fogos. Aos poucos, a imagem de Fawkes de vilão foi se transformando na de um justiceiro, de um guerreiro heroico e libertário. No excelente filme V de Vingança é assim que ele aparece, reencarnado num homem que usa sua máscara célebre e, para punir um Estado totalitário, faz o que Fawkes não conseguiu: explode o Parlamento.

 

A máscara de Fawkes aparece, hoje, em manifestações de protesto mundo afora. É também utilizada pelos hacktivistas do grupo Anonymous, junto com um lema que arrepia: “Nós não esquecemos, nós não perdoamos”.

A história em geral é escrita pelos vencedores. Fawkes perdeu, e por isso foi inicialmente tratado como um traidor vil e inclemente. Mas, num caso raro, a posteridade transformou o perdedor esquartejado e anatematizado num exemplo de coragem, bravura e justiça — num personagem que inspira lutas contra os Jaimes que se espalham pelo mundo em todas as épocas.

As informações são do DCM.

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