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O protesto manifestou a posição contrária à comercialização de animais e a favor da adoção responsável

No sábado, os integrantes do grupo Onca se reuniram em um ponto do bairro Cabral (Curitiba-PR), para seguirem juntos à loja Honjo. Todos os sábados criadores de cachorros levam filhotes para serem expostos e vendidos. Essa época foi escolhida para o protesto porque a época do Natal é quando muitos pais pensam em comprar um animal como “brinquedo” ou entretenimento para seus filhos.

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O grupo estendeu faixas com os dizeres “Não compre, adote!”, “Animal não é produto”, “Os animais não existem para o nosso uso” e “Respeito aos animais”. O ponto que nesse caso se coloca sobre respeito aos animais não é somente o tratamento dado aos mesmos, mas também a visão que se tem dos animais e a relação que é tida com eles. Apesar de, na Honjo, veterinários verificarem as condições dos animais, não se pode considerar que os animais são bem tratados quando os mesmos estão engaiolados e serão comercializados. Nos protestos dos anos anteriores, que se estenderam até o final da tarde, o cansaço dos animais era visível. E se os animais estão engaiolados e são expostos para venda, é clara a visão que se tem deles – são produtos. Não se escolhe um companheiro pela cor, pelo porte, pelo tamanho do pelo, não se compra um companheiro.

É por isso que, ao comprar um cachorro, não se compra um companheiro – se compra um brinquedo, um status, e a relação já se inicia na condição desfavorável ao animal, o tendo como um produto que, como todo produto, pode ser descartado.

Além da exibição das faixas, os integrantes distribuíram panfletos informativos sobre a comercialização de animais, questionando a vida que os animais de criadouros têm e com dados que mostram a enorme quantidade de animais abandonados. Um termo decorrente da criação de filhotes é “fêmea matriz”, que designa a cachorra utilizada para reprodução de animais. Toda a sua vida gira em torno da sua capacidade de reproduzir mais filhotes, para que os mesmos sejam vendidos e, assim, seja conseguido mais dinheiro. Quando essa sua utilidade acaba, ou seja, quando ela não é mais capaz de reproduzir filhotes, devido à inúmeros fatores, sendo um deles idade avançada, ela geralmente é descartada.

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Somente em Curitiba, 15 mil cães vivem nas ruas em total abandono e sem qualquer assistência (isso sem contabilizar animais na região metropolitana, cães semi-domiciliados, gatos e outros animais domésticos), segundo dados oficiais da Prefeitura Municipal de Curitiba.

Enquanto criadouros e criadores continuam reproduzindo animais para fins de lucro, esse número não vai diminuir – seja porque os filhotes (como todo produto) têm “prazo de validade”, sendo descartados (mortos, jogados nas ruas ou dados de presente para alguém que poderia adotar uma animal de rua), seja porque a pessoa que compra animal deixa de adotar um. A ação do Onca foi dialogar com as pessoas interessadas em um animal, orientando para que elas não comprem, mas que adotem de forma responsável um animal que vive nas ruas ou em abrigos públicos ou de entidades protetoras.

Muitas pessoas apoiaram o protesto, manifestando opinião similar ao grupo. Para ter mais informações sobre a realidade da comercialização de animais, clique aqui. Para ver mais fotos do protesto, clique aqui.

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