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Denúncia, Ecologia.

Ambientalistas do Greenpeace apoiam a caça de animais

Não satisfeito com a imagem cada vez mais negativa perante ativistas de Direitos Animais e a sociedade, ainda mais depois do lançamento de Cowspiracy, o Greenpeace decidiu atacar novamente (literalmente).

Dessa vez, a organização ambientalista espalhada em mais de 40 países, optou por um discurso favorável a caça de bebês focas (baby seals).

Em entrevista ao jornalista Tony Dokoupil do programa Greeenhouse / MSNBC, Jon Burgwald, representante do Greenpeace, fala sobre “moda sustentável” e de como os países nórdicos fabricam peças de vestuário com pele de foca de “maneira sustentável”.

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“Na década de oitenta, o Greenpeace foi um dos líderes do movimento anti-peles, mas hoje essa organização mudou. – inicia Tony”.

Segundo Burgwald, a caça às focas e os produtos derivados dessa prática nem sempre precisam ter uma conotação negativa e que há formas “sustentáveis” de se fazer isso e que a venda dessas “mercadorias” deve ser incentivada.

Ao confrontar a afirmação do repórter de que nos anos setenta e oitenta o Greenpeace mantinha-se inabalável na postura de que não existe “caça às focas sustentável” e que seria impensável ver essa organização ligada à venda de artigos de foca, Burgwald respondeu que antigamente a caça era industrial e que hoje ela é “muito sustentável” porque não afeta a população dos animais e que as focas dizimados são “totalmente aproveitadas”.

A entrevista dada pelo membro do Greenpeace foi realizada ao lado de Nauja Bianco, uma representante do Conselho Nórdico de Ministérios, que falava favorável a indústria de caça as focas, alegando que existem focas em abundância, por isso matá-las não é um problema. O repórter Tony que, alegou já ter participado de protestos anti-caça, ironizou dizendo que as focas até se colocam como voluntárias do processo.

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O Capitão Paul Watson, Presidente da Sea Shepherd Conservation Society e um dos co-fundadores do Greenpeace também emitiu um depoimento sobre seu descontentamento com a organização que, segundo ele, acaba de ultrapassar todos os limites ao considerar pele de foca como produto “sustentável”.

Eu dei início e estive à frente das primeiras campanhas do Greenpeace contra a caça de focas entre os anos de 1975 e 1977.

Nunca imaginei que chegaria o dia em que veria o Greenpeace passar para o lado da indústria da caça de focas.

Jon Burgwald, representando o Greenpeace, declarou que apoia a caça “sustentável” de focas. Isso não existe.

As focas estão ameaçadas pelo rápido declínio das populações de peixes e pela poluição. Nossos oceanos estão morrendo e o Greenpeace, numa postura desprezível, nega essa realidade. Precisamos das focas para manter o ecossistema marinho saudável.

Greenpeace está fazendo o jogo da indústria de peles e do interesse comercial do Canadá em vender pele de foca para a China. Essa organização agora permite que os assassinos de focas sintam-se mais confortáveis, ao apoiar um dos massacres em massa mais brutais e sangrentos de vida selvagem do planeta.

Como co-fundador do Greenpeace, sinto-me enojado e traído com essa nova política vira-casaca do Greenpeace.

Como é possível que qualquer pessoa compassiva e solidária continue a apoiar o Greenpeace depois disso? Que diabos eles estão pensando? Greenpeace não se opõe à matança das baleias-piloto nas Ilhas Faroe, nem ao brutal massacre de golfinhos em Taiji no Japão e agora isso.

Há quanto tempo, desde que o Greenpeace apoia o Japão em suas manobras ilegais de caça às baleias, essa organização vem arrecadando fundos para campanhas que nunca foram concretizadas? A última vez que um navio do Greenpeace esteve no Oceano Antártico para defender as baleias foi em 2007, mas os e-mails pedindo dinheiro, através de donativos, para salvar as baleias, continuam sendo enviados mundo afora até hoje, numa clara tentativa de engodo.

Tenho tentado segurar minha língua com relação ao Greenpeace ao longo dos últimos anos, mas essa fraude é uma traição ao que nós criamos na década de setenta. Eles simplesmente cuspiram na cara dos fundadores da organização, assim como eu, David Garrick e o falecido Robert Hunter, com a chocante revelação que a Fundação Greenpeace é uma organização a favor da matança de focas.

Nós arriscamos nossas vidas para salvar as focas dos pesados tacos pontiagudos dos caçadores. Eu mesmo fui espancado pelos caçadores e preso por tentar impedir o massacre das focas. Fui arrastado por águas geladas e através de uma plataforma encharcada de sangue, por entre matadores de focas com ar desafiador, em um navio de caça em 1977. Eles me chutaram e golpearam com os bastões, cuspiram em mim e empurraram meu rosto para dentro do sangue e de toda aquela sujeira.

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Naquela época, o Greenpeace usou essas imagens para arrecadar fundos e agora eles descartam todo esse sacrifício, o trabalho árduo e os perigosos riscos que os antigos membros do Greenpeace correram, sem ao menos a cortesia de um pedido de desculpas para nós, que carregamos a mesma bandeira.

E agora o Greenpeace refere-se à pele de foca como ecologicamente correta. Total e absoluta mentira. O que virá depois disso? Um apoio formal à Monsanto? Essas pessoas que, nos dias de hoje, se autodenominam Greenpeace, nunca correram nenhum risco pelas focas, nunca foram presas, nem estiveram próximas dos blocos de gelo flutuantes para ver a brutalidade com os próprios olhos. Isso tudo me deixa, ao mesmo tempo, triste e furioso, traído e frustrado além da conta.

Vergonha, Greenpeace! Isso é imperdoável e uma flagrante revelação do quanto o Greenpeace desviou-se de suas raízes.

 

Nota do Portal: Tudo indica que o Greenpeace, como o próprio nome diz, ainda mantém seu ideal de defender a paz, só que não mais com os inocentes (a terra e os animais), mas agora com os caçadores assassinos cruéis.

Esse conteúdo serve como uma oportunidade de diferenciar “ambientalistas de animalistas” e de evidenciar que muitos ambientalistas cometem atrocidades ao colocar os interesses antropocêntricos (interesse humano como prioridade) ou ecocêntricos (meio ambiente como prioridade) acima da vida dos indivíduos (animais sencientes).

Outras organizações ambientalistas como a WWF já apoiaram caça de animais em outros países, sempre com a alegação de que isso não iria prejudicar a população de animais daquela espécie, sem levarem em consideração o interesse individual de cada animal em estar vivo, em não ser usado, nem violentado e de desfrutar de sua própria vida.

A maior parte dos ambientalistas defendem animais enquanto espécie devido a sua importância ecológica, sem levar em consideração, que cada espécie animal possui um conjunto de indivíduos, que possuem valores inerentes, como seres sencientes que são.

Cada animal, cada ser senciente, é importante devido a sua utilidade para si mesmo. Os animais não existem para serem tratados como recursos humanos, seja para fabricação de casacos de pele, botas, consumo de suas carnes ou qualquer outra finalidade humana.

Os animais possuem interesse em sua própria vida, liberdade e na proteção da integridade física e psicológica. Esses direitos precisam ser respeitados. Isso é Direitos Animais: a defesa animal pautada pela individualidade de cada ser senciente.

 

– Tradução por Monika Schor. Texto por Douglas.

Fundador do Portal Veganismo e do Grupo CAMALEÃO.
Comunicólogo, autodidata em História, Filosofia e conhecimentos gerais. Ativista abolicionista pelos Direitos Animais, membro da Sociedade Vegana.

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