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Assassinando filhotes de girafas – 12/02/2014

A cada dia, nas últimas semanas, vimos ataques às pessoas veganas, ao discurso vegano, às práticas veganas. Ataques vindos de pessoas que têm informação suficiente para saber o que fazemos, dizemos e porque comemos apenas alimentos que não passam pelo assassinato e escravização de animais. Esses ataques mostram que nossa existência não passa em vão pelo planeta.

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Muitas pessoas se revoltaram nos últimos dias com o esquartejamento de uma jovem girafa que teve os pedaços de sua carne jogados para alimentar leões no mesmo zoológico da Dinamarca. A revolta das pessoas, de boa parte delas, especialmente das não veganas, foi porque o ato de matar e destroçar a jovem girafa foi cometido na frente de um grupo de crianças e adolescentes.

Para essas pessoas, se o animal houvesse sido morto às escondidas e dado igualmente de comer aos leões, o ato em si não teria tragicidade alguma.

Não me repugnou o fato de terem feito isso na frente dos jovens, pois fazem isto todos os dias ao redor do mundo: matam animais jovens (porcos são mortos com 140 dias de vida, frangos são mortos entre 30 e 40 dias de vida, bovinos são mortos entre um ano e meio a dois anos de vida, vitelos são mortos aos quatro meses de vida), repito, matam animais jovens todos os dias ao redor do mundo para servirem nacos de sua carne a essas mesmas crianças e jovens. E nisso não há mal algum a ser criticado? Há.

Todos os animais, pequenos, jovens e adultos humanos e de outras espécies, estão vivos porque sua energia está organizada para se manterem na atividade vital. Nenhum animal está vivo para ser assassinado. A morte intempestiva é algo que pode acontecer a qualquer um de nós, humanos ou não. Mas o assassinato é algo que pode ser evitado por aquele que mata.

As crianças são, de longe, os humanos mais compreensivos em relação ao mal que podemos fazer contra os outros animais. Elas devem ver, sim, como é que um pedaço de carne, uma fatia de presunto, uma fatia de queijo ou o copo de leite usado para fazer uma vitamina de frutas chega ao seu prato. Esses pequenos seres precisam ver a natureza do alimento que são forçados a comer. E foi isto que os dois homens do zoológico da Dinamarca fizeram, sem planejar, sem querer: mostraram às crianças que, se uns comem carne, essa foi arrancada do corpo de outros e dada àqueles para comer. Mostraram, sem ter o propósito, que todas as crianças são servidas de carne como o são os leões aprisionados.

A diferença entre o leão preso no zoológico da Dinamarca e as crianças que assistiram ao esquartejamento da pequena girafa dada de comer ao leão é que as crianças têm, sim, alimentos não animalizados para garantir sua nutrição com saúde, enquanto o leão, condenado à prisão perpétua, não tem. Pense nisso!

Os veganos não são autoritários. Eles apenas abriram os olhos e deixaram de olhar para o foco da luz que os cegava, as propagandas de alimentos animalizados. Eles agora olham para o ponto que antes parecia escuro e veem o que os outros não querem ver: não há comida animalizada que não tenha vindo de um abatedouro, que não resulte de um assassinato.

E o mundo mata 58 bilhões de animais todos os anos, desnecessariamente, para alimentar 7 bilhões de humanos. O que as crianças assistiram foi a uma cena de predação humana. Viram-se refletidas no espelho. Mas elas podem tornar-se veganas. E é assim que pensamos em relação às crianças e aos adultos que ainda comem animais na mais santa crença de que isso é preciso para ter saúde. Não é. Estraga a saúde. Tira a vida do animal.

Para saber mais sobre Veganismo e Direitos Animais, acesse: #SejaVegan.

Sônia T. Felipe, doutora em Teoria Política e Filosofia Moral pela Universidade de Konstanz, Alemanha (1991), fundadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Violência (UFSC, 1993); voluntária do Centro de Direitos Humanos da Grande Florianópolis (1998-2001); pós-doutorado em Bioética – Ética Animal – Univ. de Lisboa (2001-2002).

Autora dos livros, Por uma questão de princípios: alcance e limites da ética de Peter Singer em defesa dos animais (Boiteux, 2003); Ética e experimentação animal: fundamentos abolicionistas (Edufsc, 2006); Galactolatria: mau deleite (Ecoânima, 2012); Passaporte para o Mundo dos Leites Veganos (Ecoânima, 2012); Colaboradora nas coletâneas, Direito à reprodução e à sexualidade: uma questão de ética e justiça (Lumen & Juris, 2010); Visão abolicionista: Ética e Direitos Animais (ANDA, 2010); A dignidade da vida e os direitos fundamentais para além dos humanos (Fórum, 2008); Instrumento animal (Canal 6, 2008); O utilitarismo em foco (Edufsc, 2008); Éticas e políticas ambientais (Lisboa, 2004); Tendências da ética contemporânea (Vozes, 2000).

Cofundadora da Sociedade Vegana (no Brasil); colunista da ANDA (Questão de Ética) www.anda.jor.br. Coordena o projeto: Ecoanimalismo feminista, contribuições para a superação da discriminação e violência (UFSC, 2008-2014).

Foi professora, pesquisadora e orientadora do Programa Interdisciplinar de Doutorado em Ciências Humanas e do Curso de Pós-graduação em Filosofia (UFSC, 1979-2008). É terapeuta Ayurvédica, direcionando seus estudos para a dieta vegana.

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