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Ecologia, Notícias.

O assassinato de José Cláudio e Maria do Espírito Santo não será esquecido!

Nesse sábado (24), completou três anos do assassinato do casal de extrativistas José Claudio e Maria do Espírito Santo. Uma programação será realizada no fim de semana para lembrar a data. Nesse sábado e domingo, dezenas de trabalhadores rurais, lideranças sindicais, estudantes estarão se deslocando para o lote onde residia o casal dentro do assentamento Praia Alta Piranheira para uma extensa programação que lembrará a memória dos três anos do assassinato de José Claudio e Maria. No local haverá exposição cultural, trilha ecológica, caminhada até o local onde foram assassinados e ato ecumênico. Segundo informações do Diário Online.

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O crime ocorreu no interior do Projeto de Assentamento Praia Alta Piranheira, onde o casal era assentado e desenvolvia seu trabalho de preservação da natureza. Os disparos que tiraram a vida do casal foram feitos pelos pistoleiros Lindonjonson Silva e Alberto do Nascimento, ambos condenados a mais de 40 anos prisão.

As informações foram divulgadas em documento assinado por familiares de José Cláudio e Maria do Espírito Santo, Comissão Pastoral da Terra (CPT)– Diocese de Marabá –, Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Pará (FETAGRI), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Nova Ipixuna e a Associação dos Trabalhadores Rurais do Projeto de Assentamento Agroextrativista.

Ainda de acordo com o documento, o acusado de ser o mandante do crime, foi o pecuarista José Rodrigues Moreira, foi inocentado pelos jurados num julgamento em que o juiz que o presidiu, Murilo Lemos Simão, foi acusado de ter um comportamento questionável durante a fase processual e durante a seção do tribunal do júri, que na avaliação das entidades de direitos humanos que acompanharam o caso, contribuiu para a absolvição de José Rodrigues Moreira.

O Ministério Público e os advogados da família de José Claudio e Maria recorreram da decisão de absolvição de José Rodrigues. Um ano após o julgamento, o recurso de Apelação aguarda decisão da Desembargadora Vera Araújo de Souza, da 1ª Câmara Criminal Isolada do Tribunal de Justiça do Estado. Sendo anulada a decisão que absolveu o mandante, o próximo passo será pedir o desaforamento do processo da Comarca de Marabá para a Comarca de Belém, onde novo julgamento possa ocorrer com mais imparcialidade.

 

O alerta de José Cláudio:
Em apresentação realizada no TEDxAmazônia (uma conferência sobre Tecnologia, Entretenimento e Design), Zé da Castanha, afirmou:

“A mesma coisa que fizeram no Acre com Chico Mendes, querem fazer comigo. A mesma coisa que fizeram com a irmã Dorothy, querem fazer comigo. Eu posso estar hoje aqui conversando com vocês, daqui a um mês vocês podem saber a notícia que eu desapareci” Me perguntam: tenho medo? Tenho, sou ser humano, mas o meu medo não me cala. Enquanto eu tiver força pra andar eu estarei denunciando aquele que prejudica a floresta”.

 

A emboscada
No dia 24 de maio de 2011, Maria e José acordaram cedo como de costume, passaram na casa da vizinha Laísa Santos (irmã de Maria) e se dirigiram a cidade, José foi pilotando a moto com sua esposa na garupa. Ao passarem por uma ponte que levava à cidade foram cercados por pistoleiros (Lindonjonson e Alberto) que logo “atearam fogo” acertando um primeiro tiro de escopeta, que atravessou a mão de Maria e o lado esquerdo do abdome de José, e outros tiros foram disparados até a morte do casal, Zé da Castanha ainda teve sua orelha arrancada enquanto estava vivo, o que representa sinal de “serviço” feito no coronelismo.

“Queremos um mundo em que o homem aprecie a natureza, viva cercado por ela e admire a castanheira, viva, na floresta, não como uma bela tábua em sua casa”

 

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