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Qual sua opinião sobre doar casacos de pele? Solidariedade ou Especismo?

A organização PeTA esteve envolvida em mais uma polêmica recentemente.

Com um inverno de baixíssimas temperaturas a caminho, a PeTA (Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais) decidiu enviar uma enorme quantidade de casacos de pele para a cidade de Calais, na França, para ajudar os refugiados sírios a se proteger do frio.

A polêmica, no entanto, não se dá pela intenção da organização em ajudar os sírios, mas por ser uma organização que diz defender os animais e fazer isso utilizando-se da peles deles, o que para muitos defensores dos Direitos Animais (que pedem o fim do Antropocentrismo) é algo inaceitável, a atitude da PeTA acaba por alimentar a ideia de que os animais podem ser usados para satisfazer finalidades e necessidades dos seres humanos.

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Segundo a justificativa da organização, os artigos de pele e couro pertenciam a pessoas compassivas que decidiram desfazer-se dos itens.

Já que não podemos trazer de volta os visons, os coelhos, as vacas, os cachorros e todos os outros animais que foram assassinados e tiveram suas peles arrancadas do corpo, podemos pelo menos ajudar os refugiados que estão lutando para sobreviver e, considerando-se as circunstâncias de imenso sofrimento em que essas pessoas se encontram, elas talvez sejam as únicas que têm uma desculpa para usar pele nesse inverno.

A PeTA ainda alega que doar esses produtos de pele de animais para ela é o certo a se fazer e que farão, com que pelo menos, os animais que foram torturados para sua fabricação não tenham morrido em vão.

Para defensores dos Direitos Animais a atitude da organização PeTA contribui com a ideia de que “os animais estão nesse planeta para servirem como recursos para os seres humanos” e que a justificativa de que “os animais já estão mortos mesmo” é tão furada que é, inclusive, muito utilizada por pessoas que defendem o consumo de carne de animais mortos em caça, pesca ou em matadouros.

Os animais em fazendas de peles são mantidos confinados em jaulas abarrotadas e imundas antes de serem afogados, espancados, estrangulados, eletrocutados ou mesmo de serem esfolados ainda vivos, para a confecção de casacos, golas e punhos de pele.

Antes de serem transformados em couro para sapatos e botas, os animais sofrem todos os horrores possíveis: aprisionamento intensivo em currais nojentos, castração sem analgésicos, doenças e infecções constantes devido à superpopulação e, finalmente, a viagem aterrorizante para o matadouro.

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Além dos casacos, foram também doados sapatos e botas de couro.

Assista um vídeo com Olivia Munn sobre “produção de casacos de pele” feito pela própria PeTA:

– As informações são da própria PeTA. Tradução Monika Schor, texto adaptado por Douglas.

Nota do Portal: Devemos lembrar a própria PeTA sobre uma de suas campanhas mais famosas “Fur? I’d rather go naked (Pele? Eu prefiro ficar nua!)” ou o próprio slogan estampado em seu site “Os animais não são nossos para comer, vestir, usar para entretenimento ou qualquer outra forma de abuso”.

É louvável a preocupação e solidariedade da organização com os refugiados sírios, no entanto, ela poderia ajudar essas pessoas e ainda colaborar com uma conscientização pró-animais ao pedir que as pessoas doassem roupas e sapatos que não tenham sido feitas a partir de sofrimento e morte dos animais. É preciso combater o Especismo em todas as esferas!

• Para saber mais sobre Veganismo & Direitos Animais, acesse: #SejaVegan.

Fundador do Portal Veganismo e do Grupo CAMALEÃO.
Comunicólogo, autodidata em História, Filosofia e conhecimentos gerais. Ativista abolicionista pelos Direitos Animais, membro da Sociedade Vegana.

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