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Veganismo descomplicado: facilitando o entendimento, para facilitar a prática!

Hoje, primeiro de novembro de 2014, Dia Mundial do Veganismo, o Dia Mundial Vegano, uma data internacional ainda não tão conhecida no mundo e menos ainda entre a população brasileira.

Porém, dentro dos mais informados que conhecem o tema e alguns poucos que o praticam, o veganismo é visto de uma maneira pouco viável e muito distorcida.

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Um exemplo da maneira distorcida que o veganismo é entendido no próprio meio e fora dele, são as comemorações feitas através de eventos veganos em diversos países em datas como essa do Dia Mundial Vegano e toda a parabenização que rola solta de vegans para vegans nas redes sociais apenas por essas pessoas praticarem o veganismo. Isso é problemático. Nem parece que bilhões de animais continuam sendo usados como escravos para trabalhar ou para serem transformados em produtos. Não há o que comemorar.

Fora do meio vegano, tem também aquele amigo “puxa-saco”, aquela madrinha que te idolatra, aquela tia que te ama, sua mãe e alguns admiradores sinceros que te consideram o máximooo por praticar o veganismo; não tanto quanto o primeiro caso, mas isso também é problemático.

Problemático, por quê?
Ora, porque não há o que parabenizar!
Nem aquela pequena parcela de pessoas que poderiam ser consideradas como “super” veganas por compreenderem mais sobre o veganismo, por conseguirem se abster de mais produtos que outras pessoas, por plantarem o que comem ou até mesmo por produzirem ou comprarem suas roupas de forma verdadeiramente ecológica são passíveis de “devoção vegana”. Veganismo não merece aplausos!

Se o veganismo significa não consumir animais produtificados na alimentação e nos outros aspectos da vida para não contribuir com todo uso, humilhação, sofrimento, objetificação e morte das outras espécies, como ele seria algo louvável? Se o veganismo é deixar o preconceito com os animais de lado (especismo) e passar a respeitá-los minimamente, não comprando esses produtos, como isso pode ser algo venerado? Veganismo é respeitar os animais.

Veganismo é a tentativa de deixar de contribuir com o sofrimento deles, na medida do possível e praticável, é uma atitude diária em respeito aos animais. Veganismo é o mínimo que podemos e devemos fazer pelos animais.

Não estamos salvando, não estamos ajudando os animais, estamos apenas deixando de maneira individual de contribuir com o sofrimento deles, isso é veganismo, deixar de fazer o mal, deixar de apoiar ao máximo a objetificação / escravidão que é realidade cotidiana para eles.

Quando alguém deixa de fazer o mal para outro alguém, essa pessoa deve ser parabenizada? Ou respeitar o outro é o mínimo que se espera?

Por isso, é problemático parabenizar os veganos e mais problemático ainda os veganos aceitarem ser parabenizados, isso remete a concentrar o foco em nós mesmos, em nossa atuação, remete uma ideia de que tem que ser guerreiro, que é difícil ser vegano, de que é um sacrifício praticar o veganismo, não no problema enfrentado pelos animais.

Acontece que o problema dos não-veganos que parabenizam os veganos, das pessoas que gostam de ser aplaudidas por seu veganismo ou daquelas que aceitam perfeitamente serem aplaudidas sem constrangimento algum, é que todas elas fazem uma leitura do veganismo como uma atitude nível hard no mundo da caridade, que é muito foda ser vegano; ora por que consideram que é difícil ser vegano e abrir mão dos produtos “alimentícios” de origem animal e outros “privilégios”, ora por que a pessoa que o pratica é encarada como ‘sensacional e espiritualizada’ por praticar algo tão “evoluído” e por que a própria, infelizmente, vê o veganismo como privação, evolução, penitência, dificuldade.

Grande engano.
Sejam eles “super” veganos ou não, nada lhes confere status moral elevado, ou qualquer superioridade por serem veganos e veganas. Vegano não é melhor que ninguém, é simplesmente uma pessoa que rejeita a condição cultural imposta de que os animais são propriedades.

O veganismo não é difícil, com informação em primeiro lugar e uma prática consciente é bem mais fácil ser vegano, só se torna complicado se a pessoa o encara como uma seita com regras a serem seguidas ao invés de um processo de consciência ética, com foco total nos animais e lidando com o veganismo como uma atitude individual importante, saudável e correta.

Para finalizar e corroborar a visão de que veganismo é fácil e que as pessoas devem ter um olhar diferente sobre o assunto, vou deixar duas frases que considero excelentes, a primeira do advogado e filósofo Gary L. Francione e a segunda da ativista neozelandesa Elizabeth Collins:

“Se você acha que é difícil ser vegano, pense como é difícil para os animais o fato de que você não é vegano. – Gary”

“A diferença entre aqueles que afirmam que o veganismo é fácil e aqueles que afirmam que o veganismo é “difícil”, é que aqueles que dizem que é fácil se concentram nas vítimas, enquanto que aqueles que dizem que é “difícil” estão focados em si mesmos. – Elizabeth”

► Para quem não conhece a realidade de escravidão dos animais criados para consumo de suas carnes e derivados, assista “Farm To Fridge – Da Fazenda a Geladeira”:

Fundador do Portal Veganismo e do Grupo CAMALEÃO.
Comunicólogo, autodidata em História, Filosofia e conhecimentos gerais. Ativista abolicionista pelos Direitos Animais, membro da Sociedade Vegana.

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