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Olimpíadas no Brasil

Os Jogos Olímpicos, indubitavelmente, estão em decadência desde as últimas décadas. O inconcebível desperdício de dinheiro e de recursos é obsceno. O último desses espetáculos olímpicos, em 2012, enalteceu a indústria, com empresários britânicos de altos e pomposos chapéus pretos e charutos andando empertigados pelo estádio em Londres. Isso foi extremamente bizarro, para dizer o mínimo.

Agora temos esses jogos estúpidos no Rio, onde turistas são assaltados na rua à luz do dia, cercados do zumbido de mosquitos que transmitem o Zika Vírus e de máquinas que lançam inseticidas pelas ruas, enquanto as pessoas almoçam e tossem nos cafés ao ar livre por causa da fumaça tóxica.

Todos os atletas russos e quenianos foram banidos porque alguns deles, supostamente, faziam uso de doping. A alternativa correta seria submetê-los a exames no Brasil antes das competições, em vez de banir os maiores atletas em corrida do mundo. Ganhar uma medalha de ouro na maratona, sem competir com os quenianos, parece-me uma vitória duvidosa, já que o vencedor nunca saberá se é realmente o mais rápido, ou se sua vitória foi fortuita, em função da exclusão dos quenianos e russos.

Esses jogos extremamente onerosos estão sendo realizados em meio à pobreza de uma nação que está assassinando os povos indígenas, destruindo as florestas tropicais, construindo mega-barragens e realizando atividades altamente impactantes na mineração que envenenam os rios e aniquilam gigantescos territórios de fauna e flora.

Há apenas uma semana, índios da etnia Guarani Kaiowá foram violentamente atacados por um grupo de madeireiros apoiados por militares, deixando um morto e cinco feridos. Ninguém foi preso e nem se espera que os criminosos sejam punidos.

Essa é uma nação que viu, ao longo do ano passado, mais de 50 ativistas ambientais sendo assassinados por defender as florestas tropicais, muitos dos quais eram indígenas, o que faz do Brasil o país mais perigoso do planeta para os ambientalistas.

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Portanto, foi muito “apropriado” que abrissem os jogos com o assassinato de um símbolo da floresta tropical – um jaguar.

O assassinato do jaguar representa bem o total e completo desprezo do governo brasileiro pela natureza, pela vida selvagem e pelos direitos dos povos indígenas.

* Artigo escrito pelo Capitão Paul Watson, fundador da Sea Shepherd Conservation Society, a organização ambientalista mais ativista do mundo e que luta em defesa dos oceanos e principalmente das espécies marinhas. Paul Watson foi nomeado pelo “The Guardian” como um dos 50 nomes que pode salvar o planeta. Tradução feita por Monika Schorr.

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