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Introdução aos Direitos Animais: do Grupo de Oxford a Alasdair Cochrane

O termo “direitos animais” vai surgir pela primeira vez em 1894 como título da obra de Henry Salt, em Londres.

Em 1964, Ruth Harrison escreve a obra Animal Machines, pioneira, emblemática, sobre os bastidores da exploração animal. Essa obra irá inspirar a romancista Brigid Brophy a publicar um ano depois um artigo no Sunday Times, chamado “The rights of animals”.

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Essas duas autoras e a descoberta da obra de Salt irão influenciar o chamado Grupo de Oxford, formado pelos seguintes autores e obras:
O casal Stanley e Rosalind Godlovitch e John Harris publicam Animals, men and Morals, em 1971; Rosalind Godlovitch publica no mesmo ano Animals and Morals.

1973: Peter Singer publica Animal Liberation.
1975: Richard Ryder publica Victims of Science.
1976: Andrew Linzey com Animal Rights: A Christian Perspective; Tom Regan e Peter Singer com Animal Rights and Human Obligations;
1977: The moral status of Animals de Stephen Clark.
1978: Michael W. Fox e Richard Knowles publicam On the fifth Day: animal rights and human ethics.
1979: Pratical Ethics de Peter Singer e, Animal Rights: a Symposium de David Paterson e R. Ryder.

Obs: em 1979, as principais revistas acadêmicas de Ética dedicaram edições a questão dos animais. E a herança do Grupo de Oxford começa a render frutos.

1980: a obra de Henry Salt, Animal Rights, de 1984 é reeditada com um prefácio de Peter Singer. Charles Magel publica A Bibliography on Animal Rights and related matters, considerada na época a melhor bibliografia sobre o assunto.
1981: Bernard Rollin publica Animal Rights and Human Morality.
1982: Tom Regan publica All That Dwell Therein: Essays on Animal Rights and Environmental Ethics.
1983: Tom Regan publica sua obra máxima, The Case for Animal Rights. E Mary Midgley publica Animals And Why They Matter.
1984: Maureen Duffy publica Men and beast: an Animal Rights Handbook. Daniel Dombrowski publica Vegetarianism: the philosophy behind the ethical diet.
1987: Tom Regan publica The Struggler for Animal Rights. Steve Sapontzis publica Morals, Reason, and Animals; e, Rosalind Hursthouse publica Beginning Lives.
1989: R. Ryder publica Animal Revolution.
1990: James Rachels publica Created from Animals: The Moral Implications of Darwinism.
1993: Richard Sorabji publica Animal Minds and Human morals: the origins of the Western debate.
1994: Carol Adams publica Neither Man nor Beast: Feminism and the Defense of Animals. A filósofa italiana Paola Cavalieri edita com Peter Singer, The Great Ape Project: equality Beyond Humanity.
1995: Carol Adams e Josephine Donovan Animals and women: Feminist theoretical explorations. Evelyn Pluhar publica Beyond Prejudice: the moral significant of human and nonhuman animals. Charles Paterson publica Animal Rights.
1996: David De Grazia publica Tanking Animals Seriously: mental life and moral status. E Gary Francione publica Rain Without Thunder: the ideology of the animal rights moviment. Carol Adams e Josephine Donovan editam Beyond Animal Rights: a feminist caring ethic for the treatment of animals. Marjorie Spiegel publica The Dreaded Comparison: Human and Animal Slavery (leitura indispensável para aqueles que não aceitam as comparações entre escravidão humana e não humana)
1998: A historiadora britânica, Hilda kean, publica Animal Rights: Political and Social Change in Britain since 1800. É uma excelente obra pra quem quer ter uma visão histórica do movimento no berço da causa animal. E Ryder publica The Political Animal. Mark Rowlands publica Animal Rights: A Philosophical Defence. Peter Singer publica Ethics into Action Henry Spira and the Animal Rights Movement.
1999: Paola Cavalieri publica La Questione Animale.
2000: Gary Francione publica sua Introduction to Animal Rights (traduzida no Brasil). E Steven Wise publica Rattling the Cage: Toward Legal Rights for Animals. Rosalind Hursthouse publica as obras On Virtue Ethics; e Ethics, Humans and Other Animals.

2001: Tom Regan publica Defending Animal Rights. A escritora britânica Joan Dunayer publica Animal Equality: Language and Liberation (obra fundamental sobre o especismo na linguagem).
2002 Mark Rowlands publica Animals Like Us. E Steven Wise publica uma ampliação de sua obra anterior chamada, Drawing the Line: Science and the Case for Animal Rights. David Nilbert publica Animal Rights, Human Rights; e Charles Paterson publica Eternal Treblinka: Our Treatment of Animals and the Holocaust (essa obra deve ser leitura obrigatória, em especial para aqueles que dizem que não podemos fazer comparações entre o holocausto humano com o não humano).
2003: Tom Regan publica Animal Rights, Human Wrongs: an introduction to moral philosophy.
2004: Tom Regan publica Empty Cages: Facing the Challenge of Animal Rights (traduzida no Brasil). E Joan Dunayer publica a excelente obra Speciesism. E temos a obra do filósofo e ativista Steven Best, Terrorists or Freedom Fighters? Reflections on the Liberation of Animals.
2005: Andrew Linzey e Paul Barry Clarke publicam Animal Rights: A Historical Anthology. E Julian H. Franklin publica Animal Rights and Moral Philosophy. Robert Garner publica The Political Theory of Animals Rights.
2006: Martha Nussbaum publica Fronteiras da Justiça (tradução brasileira)
2007: Carol Adams e Josephine Donovan editam The Feminist Care Tradition in Animal Ethics: A Reader.
2008: Marti Kheel publica Nature Ethics: an ecofeminist perspective.
2009: Andrew Linzey publica Why Animal Suffering Matters: Philosophy, Theology, and Practical Ethics.
2010: Alasdair Cochrane publica An Introduction to animals and Political Theory.
2011: Paul Waldau publica Animal Rights: What Everyone Needs to Know.
2012 Alasdair Cochrane publica Animal Rights Without Liberation.

Algumas correntes de defesa:
Os animais podem ser defendidos por uma grande gama de correntes éticas. Exemplo:
– Utilitarismo preferencial com Peter Singer.
– Deontologia kantiana com Tom Regan.
– Igualitarismo com Ingmar Persson e Peter VAllentyne.
– Prioritarismo com Nils Holtug.
– Neokantismo com Christine Korsgaard, Julian H. Franklin, e Evelyn Pluhar.
– Contratualismo com Mark Rowlands.
– Neoaristotelismo com Stephen Clark, Daniel Dombrowski, Martha Nussbaum e Mary Midgley.
– Ética do cuidado feminista com Carol Adams, Josephine Donovan e Marti Kheel (pra quem não conhece a Kheel ela foi co-fundadora do Feministas pelos Direitos Animais na Califórnia in 1982, e palestrou aqui no ENDA em 2010).
– Ética das virtudes com Rosalind Hursthouse.
– Teoria Política com Alasdair Cochrane.

Alguns críticos:
R. G. Frey, filósofo utilitarista que publicou em 1980 a obra Interests and Rights.
Carl Cohen publica em 1986, The Case for the Use of Animals in Biomedical Research. O autor é um defensor declarado do Especismo. É um crítico de Singer e em 2001 publicou The Animal Rights Debate, com Tom Regan.
O juiz Richard Posner tem um debate com Peter Singer onde ele faz suas críticas aos direitos animais e a tese de que os animais têm interesses.
Roger Scruton publicou em 1998 a obra Animal Rights and Wrongs.

* O texto acima foi extraído da palestra ocorrida no ENDA (Encontro Nacional de Direitos Animais), no dia 25 de março de 2016.

Leon Denis – Ativista e atleta vegano pelos direitos animais.

Autor da obra Educação vegana: tópicos de direitos animais no ensino médio (2012), organizador das obras Educação & direitos animais (2014) e Educação vegana: perspectivas no ensino de direitos animais (2017), e co-autor das obras: Visão Abolicionista: ética e direitos animais (2010) e, Somos Todos Animais (2014). Pioneiro no ensino de direitos animais e veganismo em escolas públicas no Brasil. Colunista da ANDA – Agência de Noticias de Direitos Animais.

Membro fundador da Sociedade Vegana, da Liga Animalista e da EBRAV (educadores brasileiros abolicionistas veganos)

 

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