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Veganismo.

Free-Range e Cage-Free: pura manipulação!

Você acredita que conhece o significado de galinhas criadas “livres” (free-range) e o de “galinhas livres de gaiolas” (cage-free)? É preciso rever o assunto.

A indústria agropecuária avançou exponencialmente durante os últimos 100 anos.
Nos dias de hoje, o consumo de carne tornou-se sinônimo de ser “americano” e a maioria das pessoas não considera “completa” uma refeição que não contenha algum tipo de proteína animal. Mas, apesar da presença constante de carne, ovos e laticínios nos EUA, são poucas as pessoas que conhecem a forma pela qual os animais são criados, abatidos e seus pedaços distribuídos para os locais de venda.

O mínimo que se pode dizer sobre a realidade vivida pelos animais em fazendas industriais é que ela é abominável. Milhares de animais são mantidos, durante toda a vida, em locais abarrotados e imundos e quase todos chegam ao matadouro tão doentes que não conseguem nem se levantar.

Na tentativa de esconder a verdade sobre a origem dos produtos que vende, a indústria agropecuária lança mão de engenhosas técnicas de marketing para convencer os consumidores de que os produtos de origem animal que compram são, de alguma forma, “melhores” e “diferentes” do que aqueles padronizados, produzidos em larga escala.

Privando os consumidores de saber que a carne e ovos vêm de um número incalculável de animais confinados em alojamentos precários e insalubres, onde sofrem abuso inimaginável, os marqueteiros focam o “aspecto positivo”, rotulando esses produtos como vindos de animais alimentados à base de uma “dieta totalmente vegetariana”.

Isto cria a ilusão de que o “bem-estar” animal é amplamente contemplado e considerado, fazendo com que os consumidores acreditem que estão bem informados e que fazem uma boa escolha ao comprar um produto de “alta qualidade”.

O mesmo acontece com relação aos rótulos cage-“free” (sem gaiolas pequenas) e free-range (criadas em “liberdade”) atribuídos a galinhas e ovos. A brutal diferença entre o que estes rótulos querem fazer crer e a realidade deixa os consumidores extremamente confusos.

 

Galinhas criadas no sistema Free-Range (em “liberdade”) versus realidade
Na indústria avícola, o rótulo criadas em “liberdade” refere-se às galinhas criadas para o consumo de sua carne. De acordo com as diretrizes do Departamento de Agricultura americano (USDA), é permitido às galinhas criadas em “liberdade” o acesso a uma área externa, ao ar livre. A instrução oficial estabelece que “os produtores devem demonstrar ao USDA que as aves têm acesso a uma área externa”.

Ao ler isto, você provavelmente imaginou um amplo campo verde aberto onde as galinhas ciscam ao seu bel-prazer o chão de terra e a grama, procurando pequenos insetos e grãos. Algo parecido com a foto abaixo:

No entanto, aproximadamente 99,9 por cento das galinhas criadas nos EUA para o abate são mantidas no esquema das fazendas industriais. Assim, ao invés de ter apenas algumas aves para controlar, o típico “fazendeiro” de fazenda industrial tem sob seu domínio cerca de 20 mil animais.

Na verdade, as aves ficam amontoadas em galpões de onde podem, teoricamente, sair através de uma porta que dá acesso a uma área externa delimitada, mas por causa da gigantesca aglomeração em que estão aprisionadas, é altamente provável que nunca verão a luz do dia durante suas vidas extremamente curtas.

De acordo com a Humane Society of the United States (HSUS) [que trabalha com essas empresas promovendo esses selos], “não há nenhuma norma que estabeleça a população relativa adequada, a duração e frequência mínimas de acesso à área externa, nem a qualidade da terra oferecida aos animais”.

Além do mais, as galinhas rotuladas como criadas em “liberdade” são submetidas a cruéis e dolorosas mutilações que fazem parte das práticas industriais, como a debicagem através da queima, sem analgésicos, da sensível ponta de seus bicos.

A foto abaixo mostra como é, na realidade, uma fazenda de galinhas “livres”:

 

Galinhas cage-free (“livres” de gaiolas) versus realidade
O rótulo cage-“free” (sem gaiola) significa que as galinhas viveram toda vida fora de gaiolas (menores). Galinhas criadas para produção de carne raramente ficam engaioladas antes de seu transporte para o abate e, segundo a HSUS, “este rótulo nos produtos derivados das aves não tem nenhum significado relacionado ao bem-estar animal”.

No caso das galinhas poedeiras, o rótulo tem uma certa aplicação. A maioria destas aves criadas em fazendas industriais vivem em gaiolas minúsculas onde são colocadas de cinco a dez galinhas, cabendo a cada uma o espaço do tamanho de um iPad.

Não bastasse isso, as gaiolas ficam empilhadas umas em cima das outras. O ambiente em que estão confinadas é altamente contaminado e insalubre pela extrema sujeira e amontoado de fezes. A existência miserável que as galinhas são obrigadas a viver é absurdamente estressante. Elas nunca conseguem abrir suas asas, um luxo do qual as galinhas fora de gaiolas podem desfrutar algumas vezes.

Com espaço suficiente para esticar completamente suas asas, você pode imaginar que uma fazenda de galinhas não engaioladas deva ter o aspecto da foto abaixo:

 

Mais uma vez, no caso das galinhas criadas em fazendas industriais, a expressão “livre de gaiolas (cage-free)” também é enganadora. A instalação padrão contém 100 mil galinhas poedeiras. Com o objetivo de alojar as aves da forma mais eficiente para gerar o maior lucro possível, as fazendas sem gaiolas (cage-free) são assim:

 

O que você pode fazer
Agora que você conhece a verdade sobre o real significado desses rótulos, é seu dever divulgar esta verdade. Como consumidores, é nossa tarefa responsabilizar os produtores de carne pelas afirmações enganosas que propagam e a melhor maneira de fazer isto é não financiá-los [adotando o modo de vida ético vegano].

Galinhas são seres sencientes altamente inteligentes e mantê-las nessas condições é extremamente cruel e perverso. Você pode pensar que comprar produtos derivados de “galinhas criadas em liberdade” ou de “galinhas livres de gaiolas” é a melhor escolha que pode fazer, mas ao olhar estas imagens, você ainda consegue acreditar que é a escolha certa? [Ainda em dúvida? Veja esses textos que mostram sobre o processo de debicagem e outros sofrimentos que afligem os animais no sistema (publicitário) cage-“free” e “free”-range].

Felizmente, há muitas opções que substituem a carne de galinha e ovos que não são apenas deliciosas, mas também livres de toda crueldade [e especismo] praticada com os animais. Se você tem uma escolha que é verdadeiramente melhor…por que não optar por ela e deixar de se preocupar com qualquer outra coisa?

Ilustração de Hannah Williams

* Conteúdo do site “One Green Planet“, gentilmente traduzido pela colaboradora Monika Schorr [e com leves adaptações feitas pelo Portal].

Nota do Portal Veganismo: Um recente relatório da própria Egg Industry’s (EUA) deixa muito claro o quanto o “bem”-estarismo é lucrativo para a indústria e péssimo para os interesses e principalmente direitos animais. O relatório foi feito sobre a realidade das 26 principais indústrias de ovos e deixa claro que “os projetos cage-free que foram anunciados publicamente [inclusive por organizações bem-estaristas que fingem ser defensoras dos direitos animais] envolvem novas construções e não a conversão de instalações existentes.

Esses novos projetos foram realizados para atender o aumento da demanda do consumidor por ovos de galinhas em galpão (cage-“free”), sem reduzir a produção de ovos de galinhas presas em gaiolas.

Diferente do que as organizações bem-estaristas estão dizendo ao público, a indústria de ovos não está mudando suas instalações tradicionais; pelo contrário, está mantendo os animais confinados em gaiolas da mesma maneira e criando milhares de novas instalações no modelo de aprisionamento em galpão para atender o novo mercado consumidor que essas ONGs mega-corporativas estão abrindo (o mercado bem-estarista) e tudo isso resultou na criação de novas instalações para explorar mais de 4 MILHÕES de galinhas (fora os pintinhos triturados vivos).

Fundador do Portal Veganismo e do Grupo CAMALEÃO.
Comunicólogo, autodidata em História, Filosofia e conhecimentos gerais. Ativista abolicionista pelos Direitos Animais, membro da Sociedade Vegana.

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