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Notícias, Veganismo.

Mercy For Animals e a relação com o Mal-Estarismo

O Prof. Gary Francione conhecido pela defesa dos Direitos Animais (abolicionismo) denunciou a organização Mercy For Animals por receber um milhão de dólares para promover campanhas por mais ovos (cage-free).

Em sua página no Facebook que conta com mais de 80 mil curtidas para divulgar sua “Abolitionist Approach” (abordagem abolicionista), o filósofo e advogado Gary Francione publicou a informação de que a Mercy For Animals (MFA) realizava críticas ao consumo de ovos (cage-free) no passado (nov/2014) e curiosamente, após receber um milhão de dólares (fev/2016), parou de fazer essas críticas e ainda passou a fazer justamente campanhas favoráveis a produção de ovos de galinhas confinadas em galpão.

O professor de direito Gary Francione enfatizou nos comentários da postagem que “estes grupos afirmam ser contra o uso de animais, mas eles realmente promovem uso de animais, alegando, claro, que eles não podem dizer às pessoas o que elas poderiam fazer. Mas o objetivo de um movimento para a justiça social é exatamente o de assumir uma posição contra violação dos direitos fundamentais e de assumir uma posição de que essas violações devem parar. Você promove a abolição da escravatura; não se promove que os donos de escravos batam nos escravos com um pouco mais de cuidado”.

Segundo a Open Philanthropy, entidade responsável pelo investimento de um milhão de dólares, o financiamento foi feito para que a MFA contratasse três a quatro funcionários para atuar em campanhas corporativas por mais ovos de galinhas criadas em galpão (cage-free), além de ter mais fundos para publicidade, sites, e outros apoios de campanha, permitindo à Mercy For Animals expandir seu alcance internacional no Brasil, Canadá, México e Índia, além da contratação de um veterinário para se juntar a negociações corporativas.

Outras organizações, que de maneira mais transparentes se auto-definem como bem-estaristas, também receberam esses investimentos, mas em valores menores do que a Mercy For Animals (MFA). São elas: Humane Society International (HSI)Humane League, Compassion in World Farming e Animal Equality.

A Mercy For Animals alega que trocar a gaiola pelo galpão é uma medida para ajudar os animais, no entanto, ativistas abolicionistas afirmam que os animais continuam em sofrimento, apertados agora aos milhares no galpão ao invés de alguns na gaiola, respirando amônia e tendo seus bicos cortados da mesma forma, sofrendo com “ovos vinculativos (entalados)” e com desnutrição (animais sem penas), além do seu direito básico à liberdade e a vida igualmente violado.

O último relatório da própria Egg Industry’s (EUA) parece resolver de uma vez por todas esse impasse ao mostrar dados das 26 principais indústrias de ovos e ao afirmar que “os projetos livres de gaiolas que foram anunciados publicamente envolvem novas construções e não a conversão de instalações existentes.

Esses novos projetos são realizados para atender o aumento da demanda do consumidor por ovos de galinhas em galpão, sem reduzir a produção de ovos de galinhas presas em gaiolas.

Para não restar dúvidas, os fatos encontrados pelo Portal Veganismo deixam claro que as galinhas não estão isentas de crueldade no modelo (cage-free) como também diferentemente do que as organizações bem-estaristas estão dizendo ao público, a indústria de ovos não está mudando suas instalações tradicionais; pelo contrário, está mantendo os animais confinados em gaiolas da mesma maneira e criando novas instalações no modelo de aprisionamento em galpão para atender o novo mercado consumidor que essas ONGs mega-corporativas estão abrindo ao transmitir a ideia de que esses ovos de galinhas presas em galpão (cage-free) são melhores do que os ovos tradicionais.

Somente em 2016 foram criadas novas instalações para cerca de “quatro milhões de cabeças livres de gaiolas” e mais três milhões de galinhas em gaiolas, ou seja, a não ser que a Mercy For Animals tenha melhores informações sobre a indústria do que a própria indústria de ovos, ela deveria parar imediatamente com essas ações diante do prejuízo causado aos animais e ao movimento, caso ela realmente se importe com os interesses dos animais.

O que esses fatos apontam é que a solução migalha bem-estarista (ou mal-estarista) não só é incompatível com os direitos animais como também ajudou a aumentar drasticamente o número de indivíduos explorados ao criar um novo mercado entre o tradicional e o vegetariano (sem produtos de origem animal): o mercado bem-estarista.

A Mercy For Animals está dando gratuitamente um argumento poderoso para a indústria de que para conter o avanço do Veganismo e do movimento dos Direitos Animais ela somente precisa ludibriar o consumidor de que seus animais escravizados são “bem-tratados”.

 

NOTA do Portal Veganismo: Desde seu início no século XVII, o bem-estarismo (welfarism) não trouxe nenhum avanço para os animais, muito pelo contrário, contribuiu para a expansão da exploração animal e para a criação de um discurso palatável para a indústria enganar e tranquilizar a consciência dos consumidores.

Por que consideramos que apoiar campanhas por ovos de galinhas confinadas em galpão (cage-free) significa “não-Veganismo” ?
Apesar dos fatos acima já darem suficientemente conta de demonstrar que “cage-free é uma política contrária aos direitos animais”, assim como todo e qualquer sistema que utilize animais, a questão também pode ser vista de modo bem simples, basta olhar a questão dos conceitos.

Veganos não comem e não apoiam o consumo de ovos. Veganismo é um modo de vida ético consciente que rejeita a ideia de que animais sejam recursos para usufruto dos seres humanos e, por isso, que veganos e veganas não consomem produtos de origem animal, não frequentam circos, aquários, zoológicos e evitam ao máximo qualquer tipo de exploração animal.

Ao promover uma campanha como essa a Mercy For Animals está aumentando a exploração animal e a impressão ao público que animais podem sim ser utilizados para geração de produtos ou consumo, desde que sejam, como eles mesmos já disseram no passado antes da doação (clique aqui e veja), ligeiramente “bem-tratados”.

Esperamos que a comunidade vegetariana e vegana dialogue sobre esse importante assunto com conhecimento e critério para que possamos amadurecer e superar ideias, ações e campanhas mal-estaristas e, somente então, sair desse retrocesso e avançar com o movimento em defesa dos interesses e direitos animais.

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