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Mercy For Animals e o bem-estarismo assassino de animais

O projeto de nome fantasia “Brain-Dead Chicken” foi pensado no objetivo de maximizar o lucro dos produtores de “frangos de corte” criando soluções sustentáveis e eficientes para questões agropecuárias do Reino Unido.

Para o Diretor responsável pela Educação Global da Mercy For Animals, Alan Darer, o projeto que pretende matar galinhas por meio de um corte no cérebro e nutri-las para engorda depois de mortas é uma “ideia interessante”; esse sistema visa potencializar um uso mais lucrativo dos espaços e ampliar a capacidade de produção para gerar mais carnes de galinhas.

Abate Humanitário
O projeto “Brain-Dead Chicken” propõe que as aves tenham seus córtices frontais cortados, enquanto mantêm suas funções cerebrais inferiores – como a respiração – para que possam continuar como “mortos-vivos” e serem engordadas para carne.

As galinhas seriam imobilizadas em prateleiras suspensas. Seus pés seriam removidos e os animais receberiam nutrientes através de um tubo esofágico. Um segundo tubo eliminaria o desperdício – tudo no maior estilo Matrix.

As aves poderiam literalmente ser empilhadas – quadruplicando a “densidade da galinha” – representando maior lucro para os exploradores de animais, conforme informações do Gizmodo, terceiro blog mais acessado do mundo.

 

Encontro Nacional de Direitos Animais
Em palestra no Encontro Nacional de Direitos Animais (ENDA 2018), edição especial de 10 anos, o ativista abolicionista Douglas da ONG CAMALEÃO apresentou pela primeira vez a denúncia de que a Mercy For Animals apoia sim o abate humanitário.

Outras práticas bem-estaristas que prejudicam os interesses animais também foram comentadas como o caso das “galinhas dos ovos de ouro” em que a MFA recebeu um milhão de dólares para defender a criação de animais em galpão (cage-free), o que tem resultado no aumento da demanda por esses tipos de ovos no mercado, e consequentemente no aumento do número de animais explorados pela indústria, um aumento de quatro milhões de galinhas, fora os quatro milhões de pintinhos machos que são descartados ou triturados vivos, isso apenas na época do caso em questão (fev/2016).

 

MFA contraditória se confunde em sua própria confusão bem-estarista
Em continuidade sobre o caso do abate humanitário, Alan Darer, elogia a campanha flexitariana da segunda sem carne e ainda afirma que “o que deveríamos estar fazendo é se afastar do atual processo de produção industrial“, segundo palavras do Diretor da MFA, em entrevista ao Jornal Huffington Post.

O que tudo indica é que o problema para o pessoal da MFA está no “modo como os animais são tratados e mortos” e não no “uso ou na morte em si dos animais“, demonstrando claramente a posição bem-estarista inerente à Mercy For Animals.

Eis a diferença entre o “bem-estarismo e abolicionismo animal (direitos animais)“, que são movimentos diferentes com objetivos totalmente diferentes.

Para quem não é “analfabeto funcional animalista“, para quem tem um mínimo de clareza, para quem é vegetariano ou vegano mesmo há pouco tempo, sabe muito bem que a grande maioria das pessoas não vê problema no uso dos animais, no máximo se incomodam com o sofrimento deles e, às vezes, nem isso, portanto, um Diretor de Educação Global de uma entidade que alega ser “defensora dos animais” afirmar que certos sistemas de produção de carne são interessantes e que o problema está no processo é algo gravíssimo, pois corrobora conforto ao público no especismo de comer animais.

O curioso é que, apesar disso tudo, no site da MFA Brasil eles continuam a enganar o público dizendo que são uma organização vegana e que “Jamais” apoiariam abate humanitário.

O Veganismo não é dieta, não inclui bem-estarismos como abate humanitário e ovos cage-free, a MFA não é vegana! #MFANotVegan

 

Em outro trecho da entrevista, o Diretor da MFA foi mais feliz, criticando a indústria de ovos cage-free (crítica que por tabela atinge a própria MFA Brasil):

A indústria sabe que as pessoas se importam com os animais e que ninguém é pela crueldade com os animais, e correspondentemente seqüestra os termos que os consumidores procuram como “livres de gaiolas”, “livres”, “orgânicos”, “locais”, nos dando uma imagem de animais vivendo uma vida sem crueldade e muita liberdade”.

Acontece, que a própria MFA Brasil transmite essa mesma ideia errônea para os consumidores e seus voluntários na hora de pedir apoio e doação para suas campanhas, transmitindo a imagem de que os animais nos sistemas de exploração que ela defende estão vivendo uma vida sem dor, de liberdade, chamando ainda os consumidores (de ovos) de heróis pelos animais.

 

O que parece é que a Mercy For Animals adota discursos diferentes de acordo com o país do qual ela parasita: quando o contexto é bem-estarista ela se sente à vontade para demonstrar o que ela de fato é (bem-estarista), quando o contexto é majoritariamente abolicionista, como no Brasil (antes da chegada massiva de ONGs norte-americanas), ela se camufla de “abolicionista” para ganhar apoio inicial e depois vai forçando aos poucos a opinião pública para o bem-estarismo, descendo degrau por degrau, para aquilo que lhe convém institucionalmente – é a velha estratégia “Janela de Overton” – aplicada mesmo que isso afete comprovadamente os interesses e direitos animais como estamos demonstrando com as informações acima.

 

Mercy For Animals, bem-estarismo e abate humanitário: Surpresa ou mera constatação?
Para quem está atento “a questão dos conceitos“, para muitas ONGs de Direitos Animais que acompanham há anos o discurso e as campanhas defendidas pela Mercy For Animals tal notícia não é surpresa; essa corporação internacional constantemente realiza pedidos públicos na imprensa, para que empresas e consumidores apoiem sistemas especistas que matam animais de forma “perfumada”, transmitindo a ideia de que “tudo bem explorar animais para carne, laticínios, ovos, etc, desde que, feito humanitariamente – com um pouquinho menos de violência” – o clássico discurso bem-estarista.

Na figura de um dos principais diretores da Mercy For Animals, o profissional Alan Darer contratado pela Mercy For Animals para cuidar da Educação Global das MFA’s e voluntários, podemos finalmente ter de evidência para o público – a clareza que já tínhamos – de que a Mercy For Animals é uma ONG bem-estarista num nível que considera até mesmo o abate humanitário uma ideia interessante.

Nota do Portal Veganismo: Não deixe se iludir pelo marketing de imagens fofinhas da Mercy For Animals, lembrem-se que a indústria de exploração animal utiliza do mesmo apelo em suas embalagens comerciais.

A neutralidade só ajuda o lado mais forte. Apoie, divulgue essa notícia em diversas redes sociais, informe ONGs da causa animal e pessoas da comunidade vegetariana e vegana sobre esses fatos. Assine nossa Carta Animal !

 

 

Mercy For Animals, os animais não são produtos (!) – para servir de barganha em negociações bem-estaristas. Eles querem libertação, não galpão!

Parem de enriquecer às custas do sofrimento animal, uma organização da causa animal não precisa de tanto dinheiro e corporativismo assim, ainda mais para o uso indevido (bem-estarista) que estão dando para todo esse recurso.

Obs: O Portal Veganismo, através do seu jurídico, reservou-se no direito de registrar ata notarial para ter em sua posse as comprovações do que já foi e do que está sendo afirmado acima, apesar de todas as informações estarem devidamente publicadas, linkadas e expostas abertamente na Internet, proporcionando aos leitores tudo que é necessário para avaliarem os especismos da Mercy For Animals.

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