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Veganismo.

…basicamente que é um negócio lucrativo!

Existem várias formas de explorar galinhas para produção de ovos.

Uma delas é o método bem-estarista conhecido como cage-“free” (sem gaiolas), onde os animais são aprisionados aos milhares em galpão, têm seus bicos cortados (debicagem) causando dores durante toda a vida em uma região extremamente sensível, sofrem por ovos vinculativos, problemas respiratórios, etc.

 

MERCY FOR ANIMALS  E  OS  OVOS DE OURO
Em agosto, o advogado e filósofo Gary Francione comprovou que a ONG Mercy For Animals recebeu um milhão de dólares para promover campanhas em defesa dos ovos (cagefree), o que fez acender o debate entre o movimento de direitos animais que luta pelo fim do uso de animais independente do tratamento e o movimento bem-estarista que faz lobby pela continuidade do uso de animais sem sofrimento extremo.

Outras organizações bem-estaristas como a Humane Society International (HSI)Humane LeagueCompassion in World Farming e até a Animal Equality (Igualdad Animal) também receberam investimentos para fazer campanhas semelhantes.

Os leitores do Portal Veganismo e demais pessoas atentas aos conceitos fundamentais do movimento sabem muito bem que campanhas bem-estaristas são prejudiciais para o Veganismo e para os interesses e direitos animais.

Para facilitar essa compreensão aos demais, resolvemos listar algumas informações da própria indústria de ovos sobre o tema, para não restar dúvida alguma de que campanhas em defesa do bem-estarismo (como abate humanitário ou ovos cage-free) são realizadas por motivos antropocêntricos e capitalistas com a desculpa maquiada de “pelos animais”.

 

CONTRA FATOS NÃO HÁ ARGUMENTOS
O relatório super recente da própria Egg Industry’s (EUA) publicado pelo WATT Global Media exibe informações extremamente precisas sobre 26 principais indústrias de ovos e afirma claramente que:
– Projetos cage-free que foram anunciados publicamente envolvem novas construções e não a conversão de instalações existentes (gaiola para galpão);
– 
Esses novos projetos são realizados para atender o aumento da demanda do consumidor por ovos de galinhas em galpão (cage-free), sem reduzir a produção tradicional de ovos;
– As novas construções criadas para ovos cage-free têm capacidade para explorar de tempos em tempos 4 milhões de novas galinhas (fora os milhões de pintinhos machos triturados para atender toda essa demanda crescente do cage-free apoiada pelos bem-estaristas);

Para quem não conhece, o WATT Global Media é uma empresa facilitadora de informações globais sobre criação e exploração animal, acessada por executivos e tomadores de decisão nas indústrias do mundo todo, conectando vendedores e compradores em mais de 150 países, através de seus canais de mídia há 100 anos, inclusive, completando um século de existência agora em 2017.

 

MENTIRAS,  MANIPULAÇÕES BEM-ESTARISTAS  E  IMPORTANTES CONCLUSÕES
Diferente do que organizações bem-estaristas estão dizendo ao público, as galinhas não estão fora da gaiola, conforme atesta relatório publicado no WATT Global Media.

A indústria não está mudando, pelo contrário, está mantendo as galinhas em gaiolas e criando novas instalações no modelo de aprisionamento cage-free (aprovado por essas ONGs) para atender o novo mercado consumidor aberto e ampliado pelas corporações de “defesa animal”.

Somente em 2016 foram criadas novas instalações para explorar cerca de quatro milhões de novas galinhas no sistema bem-estarista e outras três milhões de galinhas em confinamento tradicional.

A Mercy For Animals está presenteando a indústria com um argumento poderoso de que para conter o avanço do Veganismo e do movimento dos Direitos Animais ela somente precisa ludibriar o consumidor de que seus animais escravizados são “bem-tratados”.

 

OUTROS DADOS  E  INFORMAÇÕES RELEVANTES
– Em 2016 a demanda por ovos cage-free foi responsável por 50% da expansão da indústria de ovos!

– “Mais de 4 milhões de NOVAS galinhas foram exploradas para atender demanda por ovos (cage-free) no ano passado” – informação relativa apenas à expansão da indústria norte-americana, fora outros tantos milhões de galpões cage-free construídos em anos anteriores;

– A “United States Department of Agriculture (USDA)” afirma que 18 milhões de galinhas são exploradas no método cage-free no país e esse número está em crescimento;

– Os ganhos sobre o preço de custo do ovo caipira podem chegar aproximadamente 261%, com estabilidade de vendas e pelo menos dois reajustes ao ano, diferente do ovo tradicional que sofre variações ao longo do ano, tendo inclusive meses com rendimentos negativos;

Um relatório da própria HSI afirma que “os fazendeiros podem receber bônus [lucros maiores] pelos ovos cage-free” e ainda apresentam dicas “de quais instalações podem ser utilizadas visando redução de custos como, por exemplo, construir aviários novos ao invés de converter os tradicionais” [o que explica parte do motivo ($) da indústria não migrar os animais da gaiola para o galpão e também evidencia ainda mais a falácia contada pelos bem-estaristas ao público de que as galinhas estão livres de gaiolas, sendo que na verdade, eles próprios não estão sugerindo essa mudança nos bastidores];

 “Os custos adicionais de um sistema bem-estarista (cage-free) são essencialmente apenas custos de investimento. Na União Européia esses custos não foram pagos pelos produtores, mas pelo próprio bloco UE e pelos governos nacionais e ainda possuem à disposição regimes de ajuda, aprovados pela própria comissão” – site especializado em Avicultura (exploração de aves).

– “Na Europa, agricultores já veem o trabalho do cage-free e as despesas de capital em conformidade com a habitação convencional” – Val-Co e Vencomatic, empresas fornecedoras de ferramentas para produção de ovos.

– “Ao aumentar a produção de ovos de primeira classe que podem ser rotulados como cage-free (livre de gaiolas), os avicultores terão mais lucro por seus ovos.” – Jansen Poultry, empresa internacional de sistemas de criação de aves capoeira.

– McDonald’s é uma das empresas líderes na defesa dos ovos cage-free. Executivos da McDonald’s Corp. disseram no “Egg Industry Center’s Issues Forum” que a gigante do Fast-food embarcou nos ovos cage-free para garantir negócios lucrativos a longo prazo.

A vice-presidente de assuntos públicos globais e administração da McDonald’s Corp., Jill Manata, afirmou que “os consumidores querem ter a certeza de que os animais fornecedores de alimentos são bem-tratados”. Manata também comentou que a promessa por ovos cage-free projetada para 2025 “foi importante porque proporciona aos fornecedores do McDonald o tempo suficiente para adaptar suas operações e, possivelmente, fechar a eficiência e equilibrar variáveis de custo”.

O Dr. Justin Ransom, diretor sênior de gerenciamento de cadeia de suprimentos e sistemas de qualidade na McDonald’s Corp., reforçou o que Manata disse afirmando que “o McDonald’s trabalha com os fornecedores para descobrir quais tipos de sistemas sem gaiolas funcionam melhor em termos de desempenho e impacto de redução de custos” e que “vão aproveitar o aumento de 10 anos para espalhar os custos de mudança para habitação sem gaiola. O preço dos itens de menu que o consumidor paga geralmente aumenta ao longo do tempo, mas a empresa está empenhada em trabalhar com fornecedores para gerenciar toda inflação”.

A varejista Kroger parece ter saído na frente do McDonalds e já anunciou em setembro uma linha de ovos cage-free com preços acessíveis, [possibilitando ao consumidor comprar até mais ovos devido à valorização do produto];
“Nós somos capazes de manter o preço reduzido, alavancando nossa escala e empacotando o produto de modo padrão, em vez de mais caro, sofisticado”, afirmou um porta-voz da Kroger em comunicado oficial.

Vivisseccionistas bem-estaristas admitiram para o advogado Gary Francione o jogo velado de interesses que acontece entre exploradores animais e ONGs de “defesa animal” e o quanto isso constitui algo lucrativo para os exploradores de animais, através dessa “parceria bizarra” (assista ao vídeo abaixo no minuto 7).

– O Educador Leon Denis, membro-fundador da Sociedade Vegana e pioneiro no ensino de direitos animais em escolas públicas no Brasil, afirmou em palestra que “o bem-estarismo é o pior inimigo dos interesses e direitos animais” (assista vídeo abaixo).

Nota do Portal Veganismo: O bem-estarismo é sinônimo de bem-estar da indústria, e não de animal bem-tratado, por isso, é uma vertente de pensamento oposta dos Direitos Animais e você não deve se deixar enganar!

O que estamos vendo com as campanhas bem-estaristas dessas organizações estrangeiras no Brasil é uma busca pela criação de um mercado de carne, ovos, leite e outros produtos de origem animal mais confortáveis para a consciência do consumidor que continuará comprando animais e derivados enquanto não tiverem contato com organizações abolicionistas que promovem informação, reflexão e apoio ao Veganismo.

O bem-estarismo não só é incompatível com os direitos animais como também ajudou aumentar drasticamente o número de indivíduos explorados ao longo da história e atualmente está servindo para criar um novo mercado entre o tradicional e o vegetariano (livre de produtos de origem animal): o mercado bem-estarista !

Isso tudo continuará acontecendo, os animais continuaram sendo prejudicados, até que a comunidade vegetariana e vegana entenda que é necessário aprender a ler criticamente; em outras palavras, buscar embasamento sobre direitos animais para não se deixar manipular e ter conhecimento de causa para defendê-los. Não há outro caminho.

“Para educar veganamente, devido à responsabilidade ética que lhe configura, não cabe inocência. – Leon Denis, membro-fundador da Sociedade Vegana (do Brasil).”

Fundador do Portal Veganismo e do Grupo CAMALEÃO.
Comunicólogo, autodidata em História, Filosofia e conhecimentos gerais. Ativista abolicionista pelos Direitos Animais, membro da Sociedade Vegana.

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